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Reportagem

Exposição em Paris traz fotos da modernidade do Brasil

Áudio 06:48
Fondation Calouste Gulbenkian

Que tal viajar no tempo e reviver o glamour do Rio de Janeiro em meados do século XX? Um baile de carnaval, uma moça com um vestido de bolinhas para um concurso de miss, ou mesmo o olhar atento de um garoto diante da triste final da Copa do Mundo no Maracanã. É o que propõe a exposição sobre a fotografia da modernidade brasileira entre 1940 e 1964, inaugurada nesta terça-feira (5) em Paris pela Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com o Instituto Moreira Salles.

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Luciana Marques, em colaboração especial para RFI

O coordenador cultural do instituto e curador da exposição Samuel Titan Junior descreve o tom nostálgico das 120 fotografias em preto e branco, que retratam o período de modernização do país. “Tem um certo gosto de inocência neste primeiro contato do Brasil com a vida urbana, com a vida cosmopolita, com a vida industrial e com o próprio interior do país.”

Fotógrafos imigrantes

A exposição reúne fotos de três imigrantes europeus que viveram no Brasil: o francês Marcel Gautherot, o alemão Hans Günter Flieg e o húngaro Thomas Farkas. Além do piauiense José Medeiros, estrela do fotojornalismo brasileiro nos anos de 1940, que trabalhou na prestigiosa revista "O Cruzeiro". Para o curador, a exposição escolheu o caminho da diversidade. “A gente quis mostrar um país em que convivem ao mesmo tempo uma festa glamurosa no Rio de Janeiro e uma festa popular no nordeste, uma indústria que se instala em São Paulo e uma aldeia indígena no Mato Grosso. Então, com perdão do clichê, um país de contrastes, num momento em que esses contrastes são talvez mais extremos.”

Nesse contexto de diálogo entre tradição e modernidade, a exposição mostra um flagra casual de Oscar Niemeyer com Vinicius de Moraes e Tom Jobim, passa por uma comemoração em São Paulo pelo fim da Segunda Guerra Mundial, faz um mergulho na inauguração de Brasília e traz o espírito de festas populares, como bumba-meu-boi. E ainda um ritual de iniciação do candomblé.

O assessor-adjunto do diretor da Fundação Gulbenkian Miguel Magalhães diz que a exposição, que já passou por Berlim e Lisboa, é uma forma de comemorar os 50 anos da instituição em Paris. “Três dos quatro fotógrafos vieram da Europa em momentos muito específicos da história social, política e cultural do século XX e essa exposição acaba por ser importante também porque a vida desses fotógrafos, a vida do Brasil, esses 24 anos sobre os quais essa exposição se debruça são também marcos para entendermos o momento em que vivemos”, afirmou.

O evento está aberto ao público até o dia 26 de julho, com entrada gratuita. A exposição seguirá para Madri no segundo semestre.

 

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