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Imprensa

Mulheres jornalistas denunciam assédio de políticos na França

Capa dos jornais franceses Le Figaro, Libération, Ouest France e Sud Ouest desta terça-feira, 5 de maio de 2015.
Capa dos jornais franceses Le Figaro, Libération, Ouest France e Sud Ouest desta terça-feira, 5 de maio de 2015.

“Tira a mão”! Essa é a manchete choque de Libération desta terça-feira (5). O jornal francês publica o manifesto de mulheres jornalistas contra o "assédio e o sexismo" de políticos franceses. O texto é assinado por 40 jornalistas, mas apenas 16 delas revelaram seus nomes. Com medo de represálias, as outras preferiram ficar no anonimato.

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As jornalistas francesas que cobrem política cansaram de ser assediadas e decidiram publicar um manifesto no Libération denunciando as práticas machistas e sexistas dos políticos franceses. As 40 autoras dizem ter acreditado que o escândalo envolvendo o ex-patrão do FMI, Dominique Strauss Kahn, suspeito de ter agredido sexualmente uma camareira de hotel em 2011, iria mudar os hábitos masculinos. Doce ilusão!

O texto descreve várias declarações, situações profissionais desconcertantes e de discriminação que complicam as condições de trabalho das jornalistas que cobrem política na França. Situações como a de um deputado que recebe uma jornalista, afirmando que ela “é puta e espera um cliente”, ou a de um senador que “lamenta que a entrevistadora esteja de gola rolê e não com uma roupa decotada”. As jornalistas também citam as passadas de mão inapropriadas ainda em voga no país.

No editorial, o jornalista David Carzon confessa que nunca foi vítima das várias cantadas ou discriminações corriqueiras contra as mulheres da profissão simplesmente porque é um homem.

Paridade

O manifesto afirma que enquanto a política francesa continuar majoritariamente nas mãos de homens heterossexuais sexagenários, nada vai mudar. O texto explica porque apenas a identidade de 16 jornalistas é revelada. “Algumas autoras já têm situações profissionais complicadas e não querem ser ainda mais discriminadas. Não querem ser vítimas do machismo pelo fato de ter denunciado a prática”, deploram as autoras que pedem mudanças de comportamento. Uma solução seria a paridade no Parlamento e na política francesa. Hoje, a Assembleia Nacional francesa tem apenas 27% de mulheres.

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