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Linha Direta

Tensões na Rússia e na Ucrânia influenciam resultados de eleições na Polônia

Áudio 05:03
O candidato conservador Andrzej Duda durante votação neste domingo (10) em Cracóvia, Polônia.
O candidato conservador Andrzej Duda durante votação neste domingo (10) em Cracóvia, Polônia. REUTERS/Mateusz Skwarczek/Agencja Gazeta ATTENTION EDITORS

Os poloneses foram às urnas neste domingo (10) para o primeiro turno das eleições presidenciais. As tensões com a Rússia, o conflito na Ucrânia e a integração à zona do euro dominaram a campanha eleitoral no país.

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Sandro Fernandes, correspondente da RFI em Moscou

A Polônia faz parte da União Europeia, mas não está na zona do euro e um dos principais candidatos, o atual presidente Bronislaw Komorowski, de 62 anos, que tenta se reelegar, defende uma maior aproximação do país ao bloco. O candidato é ex-ministro de Defesa e construiu uma campanha em torna da segurança, pautado no contexto de tensões com a Rússia a respeito do conflito na Ucrânia.

Recentemente, Komorowski disse que os poloneses não podem se esquecer de que, há algumas décadas, um conflito militar nunca esteve tão próximo do território polonês como agora. A Polônia tem 530 quilômetros de fronteira com o oeste da Ucrânia. A campanha de Komorowski tentou, claramente, colocar na cabeça dos poloneses o medo de um possível avanço russo.

Resultado será divulgado em uma semana

O resultado oficial só deve ser divulgado em uma semana, já que as cédulas são contadas manualmente, mas todas as pesquisas de boca de urna apontam para um segundo turno. Onze candidatos concorreram à presidência da Polônia, mas oito deles, juntos, não chegavam a 5% das intenções de voto. Na prática, a disputa ficou entre três candidatos: Bronislaw Komorowski, atual presidente que tenta a reeleição, o conservador Andrzej Duda e Pawel Kukiz, um ex-cantor de punk-rock, que competiu de maneira independente.

Todas as pesquisas de intenção de voto indicavam que Komorowski não chegaria aos 50% necessários para ganhar no primeiro turno, mas teria uma vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Duda. Mas as pesquisas erraram: a boca de urna confirma o segundo turno, mas com um resultado surpreendente. Duda sai na frente, com 34,8% dos votos e o atual presidente, Komorowski, teria 32,2%.

O sistema de governo polonês é particular. O presidente tem poderes limitados, já que o chefe de governo é o primeiro-ministro. O presidente é o chefe das Forças Armadas e responsável por coordenar a política externa, além de nomear o presidente do Banco Central.

Rússia e conflito na Ucrânia

Komorowski e Duda devem se enfrentar no segundo turno daqui a duas semanas, no dia 24 de maio. A posição dos dois candidatos é a mesma: a Polônia deve manter uma linha dura em relação à Rússia, apoiar o governo ucraniano de Petro Poroshenko e se aproximar da União Europeia. As divergências entre os candidatos tendem a ser quem é o mais competente em alcançar estes objetivos e qual é a melhor maneira de alcançá-los.

Komorowski quer uma estreita colaboração com a Alemanha da chanceler Angela Merkel, enquanto Duda sugere uma política externa mais independente, defendendo que a Polônia seja o líder regional de uma bloco de países pós-comunistas que consigam convencer o Ocidente a tomar medidas mais concretas contra o expansionismo russo.

A Polônia, este ano, deixou de celebrar oficialmente o Dia da Vitória dos aliados no dia 9 de maio, como é feito aqui na Rússia. Agora, as celebrações acontecem no dia 8 de maio, como no restante da Europa, deixando clara a intenção de Varsóvia de se desvencilhar por completo das interferências de Moscou.

Rival aposta em temas sociais

Principal rival de Komorowski, Duda, de 42 anos, optou na campanha por temas sociais e prometeu aos eleitores uma agenda política que traga benefícios para os cidadãos, sem enfocar na questão de política externa. Em sua campanha falou sobre a diminuição da idade para se aposentar e disse que lutaria contra a desigualdade econômica. Na área de política externa, o candidato alfinetou Komorowski, acusando o atual presidente de não ter dado à Polônia uma voz mais forte e soberana na União Europeia.

Poucos dias antes da eleição, Duda ganhou o apoio do legendário sindicato polonês Solidariedade. Durante a campanha, ele também expressou seu apego à Igreja Católica, instituição ainda muito poderosa na Polônia.

Komorowski e Duda são ambos conservadores. Komorowski, o atual presidente, faz parte do Partido Conservador, que chegou ao governo em 2007, e Duda pertence ao partido Lei e Justiça, principal partido de oposição, mas também conservador, partido que foi recentemente acusado de se aproximar da extrema-direita.

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