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Reportagem

Paris recebe esculturas de Lego de Nathan Sawaya

Áudio 08:32
Yellow, a obra mais emblemática de Nathan Sawaya
Yellow, a obra mais emblemática de Nathan Sawaya MIAM MIAM CREATIVE LAB

A partir desta quinta-feira (14), o Centro de Exposições da Porte de Versailles, em Paris, recebe a exposição The Art of The Brick, do artista americano Nathan Sawaya. São 100 esculturas, feitas com mais de 1 milhão de peças de Lego. Depois de atrair mais de 2 milhões de visitantes ao redor do mundo, as criações do artista americano chegam à capital francesa com mais cara de espetáculo do que de mostra de arte.

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Logo na primeira sala, há um mural que imita o que Nathan Sawaya tem em seu ateliê. Nele, esboços de obras célebres, como Yellow - que ilustra o cartaz da mostra - e Wind Blowin' Away, dividem o espaço com Cristiano Ronaldo, Lady Gaga e Oprah Winfrey. O objetivo da mostra é entreter, como explica o produtor Pascal Bernardin.

"Não somos uma galeria de arte. Na Paris Expo Porte de Versailles, fazemos exposições para o grande público e queremos que pessoas que não frequentam museus venham ver coisas diferentes e ouvir uma história. Neste ano, é a história de Nathan Sawaya, o artista do Lego", afirma.

Do escritório para a galeria

E qual a história de Nathan Sawaya? Resumidamente, o artista nasceu em Colville, no Estado de Washington, cresceu em Veneta, Oregon. Estudou direito, especializou-se em direito corporativo. Quando voltava para casa, desafogava o estresse da vida de advogado nas pecinhas do Lego. O que sobrou desta época?

"Uma escultura chamada Self", responde o artista. "É uma figura que está se rasgando e uma outra figura, vermelha viva, emerge de seu peito. Este homem usa um terno. Eu acho que isso se relaciona com quando eu era advogado, imerso em papelada das 9h às 17h, e queria fazer outra coisa, ser criativo. É o artista querendo sair", afirma.

Sofrimento a cores

Figuras como essa, que sofrem metamorfoses, que se rasgam, se desintegram, compõe a sala chamada "Condição Humana". É uma galeria que destoa do resto da exposição por ser profundamente melancólica. Uma escultura está presa numa caixa, outra retira o rosto como se fosse uma máscara, outra está pendurada por um braço, um homem segura uma mulher aparentemente morta entre seus braços. São peças carregadas de "emoção e reflexão", nas palavras de Sawaya.

"São formas humanas - e minha maior paixão são as formas humanas", garante o artista. "Ao entrar nessa galeria, você é imediatamente confrontado com quatro grandes caveiras, em cores muito vivas, infantis! A ideia ali é sobrepor o brinquedo e o símbolo da morte. Isso é, de alguma maneira, chocante (eu espero). Mas também te lembra das cores, da diversão que vivenciamos ali", afirma.

É nesta sala também que se encontra Yellow, a obra mais emblemática de Nathan Sawaya. Nela, vemos mais um peito destroçado, de onde vazam milhares de tijolos amarelos. "Para mim, essa é uma obra muito importante, que ficou bastante icônica. Eu acho que mais gente me procura por causa dessa escultura do que por qualquer outra. As pessoas vêem essa obra e pensam em alguém que se abre para o mundo, dá tudo de si, deixa toda sua alma se derramar para fora", descreve o artista.

Ao fim desse labirinto de sofrimento em cores berrantes, o visitante se depara com o único autorretrado do artista, representado como um quebra-cabeças em que falta uma peça, bem entre os olhos. Ele explica: "Acho que meu trabalho nunca está completo. Esse autorretrato é como me sinto com relação à arte."

Crianças e adultos

O lado ultrapop pode cansar o frequentador assíduo de museus que, ao se ver cercado por Pensador, Vênus de Milo, Mona Lisa, Bob Dylan e Andy Warhol, todos em Lego, pode se sentir numa espécie de Las Vegas da arte. Mas, não dá para desconsiderar o fato de que o trabalho de Nathan Sawaya atiça a curiosidade de gente que não tem grandes afinidades artísticas. Especialmente as crianças, como explica o próprio artista: "Usar peças de Lego, que é esse brinquedo universal, com o qual tantas crianças se identificam... Foi isso que fez minha arte tão universal", avalia.

"As pessoas conseguem se relacionar, se conectar com as obras, porque elas são feitas desse brinquedo que elas tiveram quando crianças. Acho incrível como TODO MUNDO já juntou alguns tijolinhos de Lego, o que permite uma interação com a obra de arte em um nível diferente. Alguém que vê uma estátua de mármore pode apreciar a estátua, mas não vai ter mármore para brincar quando chegar em casa à noite. Todo mundo tem Lego! E é por isso que essa arte se relaciona em tantos níveis".

Serviço
The Art of The Brick - L'Incroyable Art Du Lego
Paris Expo, Porte de Versailles, Pavillon 8/A
Metrô Porte de Versailles (Linha 12)
De 14 de maio a 30 de agosto
Aberto todos os dias, exceto às terças-feiras, das 10h às 19h
Ingressos entre € 13,50 e € 16,50

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