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Linha Direta

Após anunciar investimento de US$ 53 bi no Brasil, premiê da China é recebido por Dilma

Áudio 06:35
O subsecretário-geral político 2 do MRE, embaixador José Alfredo Graça Lima, fala sobre a visita ao Brasil do primeiro-ministro da China, Li Keqiang.
O subsecretário-geral político 2 do MRE, embaixador José Alfredo Graça Lima, fala sobre a visita ao Brasil do primeiro-ministro da China, Li Keqiang. Marcelo Camargo/Agência Brasil

Menos de um ano depois da visita do presidente chinês, Xi Jinping, o Brasil recebe nesta segunda-feira (18) o primeiro-ministro da China, Li Keqiang. A viagem do chefe do governo também acontece logo após o anúncio de que Pequim vai investir 53 bilhões de dólares em infraestrutura no país. A China já é o maior parceiro comercial do país latino-americano.

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O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, chega ao Brasil com uma comitiva de 120 empresários. A visita promete trazer novos anúncios e efetivar boa parte dos acordos revelados em 2014, que já estão em fase de planejamento. De acordo com o subsecretário-geral do Ministério das Relações Exteriores para as relações com a Ásia e Oceania, embaixador José Alfredo Graça Lima, estão previstos pelo menos oito acordos governamentais e empresariais, três declarações conjuntas e mais de 25 atos.

Na terça-feira, o premiê participa de eventos no Palácio do Planalto e no Palácio Itamaraty em presença da presidente brasileira Dilma Rousseff. Ele também terá encontros com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Além da capital, o chefe do governo chinês também visita o Rio de Janeiro na quarta-feira (20) e segue para a Colômbia no mesmo dia. Até 26 de maio, o representante de Pequim deve passar por Peru e Chile. As quatro escalas da viagem são os maiores parceiros da China na região.

A visita também deve ser marcada entrega do primeiro lote de aeronaves da Embraer à companhia chinesa Tianjin Airlines. A venda de 40 aviões delas foi acertada no ano passado. Outra expectativa desse encontro é que seja anunciada a compra do banco brasileiro BBM SA pelo chinês Bank of Communications Co. Segundo a publicação econômica Bloomberg, a quinta maior instituição bancária da China, que tem sede em Xangai, pode estar próxima de um acordo para adquirir 80% do banco brasileiro por cerca de 200 milhões de dólares. 

Exportação de carne brasileira para a China

A visita também deve tornar efetiva a liberação da exportação de carne brasileira para a China. Segundo a Apex, Agência Brasileira de Promoção às Exportações e Investimentos, com a abertura do novo mercado o volume das vendas pode chegar a 1 bilhão de dólares. A venda de frangos e suínos para o país asiático deve aumentar em até 20%.

A carne vinda do Brasil foi embargada em 2012, diante da descoberta de um caso de Encefalopatia espongiforme bovina (EEB) ou doença da vaca louca. O embargo foi retirado durante a última visita do presidente chinês ao Brasil, mas ainda é preciso a assinar um protocolo sanitário para liberar de fato a entrada do produto.

Menos de um mês depois desta passagem de Li Keqiang pelo Brasil, o governo e o setor privado brasileiro organizam uma viagem para reposicionar a carne bovina, suína e de frango nacionais no país asiático. A estratégia da missão brasileira de promoção será convencer distribuidores, varejistas, produtores e consumidores.

Maior parceiro comercial do Brasil

O gigante asiático é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e os esforços diplomáticos se intensificam para expandir essa cooperação em diversas áreas. Em entrevista a um canal de televisão chinês, a presidente Dilma falou com entusiasmo da relação entre os dois países. Ela reforçou que Brasília quer ampliar essa parceria estratégica nas áreas de produtos manufaturados, alimentos processados, transporte aéreo e tecnologia da informação. Além disso, a presidente indicou que o país tem interesse na expertise da China em investimento em infraestrutura de transporte.

Em janeiro, durante a primeira cúpula China-CELAC (Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe), o presidente chinês anunciou que 250 bilhões de dólares serão investidos na América Latina nos próximos 10 anos. O comércio da China com Colômbia, Peru, Chile e Brasil já responde por 57% do volume total de negócios com a região. Apenas a parceria brasileira movimentou cerca de 18 bilhões de dólares em 2014 e se concentra nas áreas de agricultura e mineração.

Na semana passada, o ministro-assistente do Comércio chinês, Tong Daochi, afirmou que Pequim quer diversificar as relações comerciais e importar mais produtos de alto valor agregado. Ele garantiu que não se trata apenas de exportação de recursos naturais e diz que o comércio e investimentos no Brasil têm demonstrado uma tendência de diversificação, se abrindo para, por exemplo, fábricas e o setor da aviação.

Investimento de US$ 53 bi no Brasil

O governo brasileiro afirmou que será preciso esperar o fim da visita para saber os detalhes dos documentos que serão assinados, mas antes mesmo da chegada do primeiro-ministro chinês, já foi anunciado um investimento de até 53 bilhões de dólares. O acordo deve ser firmado entre a Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC).

Os recursos vão financiar projetos, como a já anunciada Ferrovia Transoceânica, que vai ligar a costa Atlântica ao Pacífico, passando pelo Peru, e que pretende reduzir o custo das exportações de grãos para a China. O dinheiro também deve concretizar um acordo para a produção de aço e a ligação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte até os consumidores das regiões Sudeste e Sul, além de financiar outras cooperações em infraestrutura, como ferroviárias, rodovias, portos e aeroportos.

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