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Linha Direta

Tailândia e Malásia aceitam imigrantes que estavam à deriva no sudeste asiático

Áudio 04:12
Migrantes da minoria muçulmana Rohingya que desembarcaram na Indonésia em 19 de maio de 2015.
Migrantes da minoria muçulmana Rohingya que desembarcaram na Indonésia em 19 de maio de 2015. REUTERS/Beawiharta

Diante da pressão internacional, Malásia e Indonésia decidiram receber finalmenteos 7 mil migrantes de Mianmar e Bangladesh. Eles estavam à deriva em barcos no sudeste asiático, que foram rejeitados pelos dois países e pela Tailândia, que endureceu sua política migratória nos últimos meses, proibindo a entrada por terra de milhares de pessoas.  

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Luciana Fraguas, correspondente da RFI Brasil na Austrália

Não há uma razão específica para os três países terem mudado de ideia, mas certamente contaram a pressão internacional, principalmente das Nações Unidas, a perda de vidas e a situação impensável de homens, mulheres e crianças à deriva no mar.

O anúncio feito hoje pelo Ministro do Estrangeiro da Malásia, Anifah Aman, traz condições: Indonésia e Malásia concordam em acomodar os imigrantes, de origem principalmente Rohingya e Bangladeshi, por um ano, contanto que outros países ajudem a encontrar uma solução conjunta e auxiliem no processo de repatriação e assentamento.

Eles insistem que essa não é uma crise regional, mas internacional. “Pedimos a todas as organizações não- governamentais, às pessoas de todas as raças e religiões, para ajudarem os imigrantes Rohingya, mesmo que eles estejam entrando no país ilegalmente e quebrando as leis da imigração, o seu bem estar não deve ser ignorado”, disse Anifah.

Destino dos migrantes

Ainda não foram revelados os locais para onde os migrantes serão levados e como o processamento será feito. A única certeza é que eles serão trazidos para a terra firme. Uma nova reunião no final do mês será realizada para discutir onde serão reassentados.

O papel da Austrália

A Austrália tem evitado se pronunciar sobre o assunto. O primeiro-ministro, Tony Abbott, disse que não ia criticar a Indonésia ou Malásia por mandarem os barcos de volta; essa posição de Abbott gerou muitas críticas. Isso porque ele foi o primeiro a fazer isso. Há um ano e meio, a Austrália comprou pequenos barcos de resgate, laranjas, e quando barcos de ‘requerentes de asilo’ como eles chamam, aparecem por aqui – um problema antigo – eles colocam os imigrantes nos barquinhos e mandam de volta para onde vieram.

A Indonésia é um ponto de partida, faz parte da rota dos imigrantes que chegam aqui de barco. Por isso pode ser uma questão de semanas ou dias para que alguns desses imigrantes de origem Bangladeshi e Rohyinga comecem a tentar chegar aqui.

Resgate

Centenas de migrantes foram resgatados da costa da Indonésia nos últimos dias, por barcos de pescadores.
Nesta quarta-feira (20), cerca de 500 pessoas foram achadas e estão sendo trazidas para terra firme pelos barquinhos dos pescadores, informou o representante Khairul Nova, da agencia Indonésia de busca e resgate. Nova disse que os imigrantes chegaram à cidade de Kuta Binje, em Aceh.

O resgate foi feito durante a reunião dos três ministros das Relações Exteriores (da Malásia, Tailândia e Indonésia). Mianmar, o país de onde vêm os imigrantes da etnia Rohyinga - que abandonaram o país em função da perseguição da maioria Budista – se recusou a participar da reunião. Mas hoje, representantes disseram que estavam prontos para prover ajuda humanitária, pela primeira vez, no tom mais conciliatório.
 

Última esperança

Cerca de 3.000 imigrantes Rohingya e Bangladeshi conseguiram chegar à costa da Indonésia, Tailandia e Malásia.

Ao todo, calcula-se que cerca de 25 mil Bangladeshis e muçulmanos Rohingya de Mianmar aceitaram fazer a jornada mais perigosa de suas vidas em barcos de traficantes nos primeiros três meses desse ano. Duas vezes mais do que no mesmo periodo do ano passado, diz a Agência para refugiados das Nações Unidas. Aqueles que chegaram foram abandonados na costa ou perto do litoral.
 

 

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