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Saúde

Tratamento revolucionário contra o câncer não tem previsão de chegar ao Brasil

Áudio 05:27
A imunoterapia está no centro das pesquisas contra o câncer realizadas por importantes instituições e especialistas na França.
A imunoterapia está no centro das pesquisas contra o câncer realizadas por importantes instituições e especialistas na França. Divulgação

A edição de 2015 do Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), que terminou nesta terça-feira (2) em Chicago, focou em um novo tratamento contra o câncer, considerado pelos especialistas como uma revolução na Medicina: a imunoterapia. A técnica já começou a ser utilizada nos Estados Unidos, deve ser brevemente autorizada na Europa, mas não tem previsão para começar a ser aplicada no Brasil.

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"O Brasil precisa amadurecer seu sistema regulatório", avalia uma das maiores especialistas no assunto do país, Nise Yamaguchi, diretora de relações institucionais da Associação Brasileira das Mulheres Médicas (ABMM).

Segundo ela, a demora na constatação dos resultados do tratamento é um dos motivos pelos quais há resistência para aprová-los no Brasil. "É preciso ter a compreensão de que alguns desses medicamentos vão demorar a mostrar diferenças na curva de sobrevida. Por isso, nos últimos anos, foram pouquíssimos os tratamentos autorizados contra câncer no Brasil, mesmo diante de tudo que está acontecendo no mundo inteiro", lamenta a oncologista e imunologista dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, em São Paulo.

Tratamento custa caro

Os medicamentos, já aprovados nos Estados Unidos, podem ser utilizados no Brasil porque a legislação brasileira permite a importação de remédios para uso individual. O alto custo do tratamento é outro motivo pelo qual as autoridades sanitárias brasileiras ainda estão resistentes à utilização da imunoterapia no Brasil.

"Há um problema de custo, mas paga-se mais por um paciente que não recebe o tratamento adequado. Porque ele vai mais ao hospital, passa mais tempo internado, é submetido a mais operações, precisa mais de sangue, faz quimioterapia desnecessariamente. Então, no Brasil, essa conta tem que ser feita de uma maneira diferente. É preciso tentar diminuir o preço desse tratamento", analisa.

Nise Yamaguchi explica que alguns dos doentes analisados nas pesquisas desenvolvidas nos Estados Unidos e na Europa eram brasileiros. Ela acompanhou o tratamento de alguns deles e avalia que os resultados são extraordinários. "O momento é de grande esperança para os pacientes, mas eles precisam ter acesso a esses medicamentos", reitera a oncologista.

Resultados eficazes

A imunoterapia vem sendo desenvolvida há alguns anos, mas apenas recentemente começou a mostrar resultados eficazes, especialmente contra o câncer de pele e dos pulmões. O grande segredo da nova técnica foi a compreensão de que a célula maligna não é a única responsável pelo tumor. Em qualquer tipo de câncer, as células imunitárias, que defendem o organismo, entram em uma espécie de pausa.

Os especialistas encontraram essas moléculas "paralisadas" e desenvolveram anticorpos capazes de "acordá-las". O tratamento funciona tão bem que é capaz de limitar a progressão do tumor de forma eficaz e duradoura.

EUA e França são pioneiros

Os Estados Unidos foram pioneiros na aplicação da técnica e, desde o final de 2014, dois tratamentos desse tipo já são utilizados no país. A França tem uma autorização temporária para utilizar medicamentos imunoterápicos, mas eles devem ser brevemente aprovados em todo o Velho Continente.

Os hospitais e especialistas franceses têm participação efetiva no desenvolvimento desses medicamentos. O país conta com instituições que vêm obtendo progressos essenciais no combate ao câncer.

A pesquisadora e dermato-oncologista Caroline Robert, apresentou no congresso da Asco uma das técnicas desenvolvidas contra melanomas no hospital francês Gustave Roussy, em Villejuif. "O medicamento que desenvolvemos para o melanoma também é eficaz contra outros tipos de câncer: dos pulmões, dos rins e de outros órgãos. Afinal, a imunoterapia não se foca na anomalia molecular que o câncer causa. Ela consiste no estímulo ao sistema imunológico para que ele combata o tumor, pouco importa o seu tipo", explica.

Caroline Robert conta que sua equipe conseguiu resultados positivos ao diminuir a toxicidade da imunoterapia. "O tratamento atual é menos tóxico. O risco é que se estimularmos demais o sistema imunológico ele pode combater os órgãos saudáveis: o que chamamos de auto-imunidade. E isso pode prejudicar o fígado, o cólon e todos os órgãos. Agora, com o desenvolvimento dessa imunoterapia, o tratamento é mais eficaz e menos tóxico. E nós estamos vendo nossos pacientes viver por mais tempo."

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