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Fato em Foco

Para pesquisador, maior interesse americano por futebol levou à queda de Blatter

Áudio 04:59
Blatter após renúncia ao cargo de presidente da Fifa.
Blatter após renúncia ao cargo de presidente da Fifa. REUTERS/Ruben Sprich

Depois de anos de acusações e denúncias contra a Fifa (Federação Internacional de Futebol), a casa finalmente caiu de maneira espetacular, com a prisão de vários integrantes da cúpula, como o ex-presidente da CBF, o brasileiro José Maria Marin, ex-governador biônico de São Paulo durante a ditadura. Mas quais as consequências que isso pode trazer para a própria Fifa e para o futebol?

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Para Ary Rocco, da Escola de Educação Física e Esportes da USP, pesquisador de marketing e gestão no esporte, a queda de Blatter está diretamente ligada ao aumento do interesse americano pelo soccer, como eles chamam o futebol por lá. “Foram criadas ligas e a maior parte das grandes empresas patrocinadoras da Fifa são americanas, como Visa, Coca-Cola e McDonald’s”, explica Rocco.

O pesquisador acredita que Blatter apostou em um “jogo de forças para se manter no poder, mas os norte-americanos, desgostosos com o fato de a Copa de 22 ter ido para o Catar, fizeram uma grande pressão pela queda do suíço”. Como vários contratos suspeitos foram fechados nos Estados Unidos, o sistema judiciário americano aproveitou a deixa para investigar a Fifa.

Para Pim Veershuren, do IRIS, Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, a demissão de Blatter é “uma maneira de salvar as aparências diante de suas declarações e uma possível prisão no futuro”. Para ele, “o peso do processo jurídico americano fez Blatter ceder, pois há anos havia pedidos para sua demissão, acusações e escândalos sucessivos”.

Capital

Lembrando que um mundial de futebol gera milhões de dólares, Ary Rocco pensa que, num primeiro momento, seja quem for eleito para substituir Blatter, “é de se esperar um período de mais transparência? principalmente nas relações entre patrocinadores e entidades”.

Rocco acredita ainda que algum tipo de artifício possa ser criado para que a Copa do Mundo de 2022 seja retirada do Catar, por causa de denúncias como violações de direitos humanos e trabalho escravo, e realizada nos Estados Unidos. “Isso seria bom para o futebol Do ponto de vista dos negócios, mas não sei em relação à socialização do esporte, para levá-lo a novos mercados em regiões da Ásia ou África, por exemplo”.

A Europa pode se fortalecer muito caso consiga eleger o sucessor de Blatter, estima Ary Rocco. O ex-jogador francês e atual presidente da UEFA, Michel Platini, trouxe vários investimentos dos Emirados Árabes, lembra o pesquisador. “Mas eu me pergunto o tipo de relacionamento que ele poderia ter com os americanos, com os grandes patrocinadores”, conclui.
 

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