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Saúde

Um terço dos dentistas franceses se recusa a atender portadores do HIV

Áudio 03:50
pixabay.com

O Código da Saúde Pública na França proíbe todo tipo de discriminação contra pacientes portadores do vírus HIV. No entanto, um levantamento realizado pela associação Aides revela que 30% dos dentistas franceses recusam soropositivos. No Brasil, a ONG Amigos da Vida alerta ainda para profissionais que cobram mais para tratar dessas pessoas.

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A constatação foi feita através de um teste telefônico elaborado pela Aides, ONG francesa de luta contra a Aids/HIV. Foram contatados 440 dentistas e 116 ginecologistas para marcar horários de consulta para limpeza, no primeiro caso, e exame de papanicolau, no segundo.

Cada profissional foi chamado duas vezes – uma em que o suposto paciente não se dizia portador do vírus HIV e na outra em que especificava a condição. Os sobrenomes usados eram franceses e quem ligava se dispunha a pagar custos adicionais, a fim de que as eventuais recusas não fossem por discriminação a estrangeiros ou por motivos econômicos.

Entre os ginecologistas, a Aides teve apenas duas recusas taxativas para tentativa de marcar uma hora, ou seja, 1,7% dos casos. Mas entre os dentistas, 3,6% foram claros na recusa para atender soropositivos, enquanto outros 30% deram desculpas para recusar as consultas.

Triste constatação

“Infelizmente os resultados não nos chocam, são constatações de irregularidades que acontecem há anos”, disse à RFI Brasil Marc Dixneuf, diretor da Aides. “Nos casos de recusa, os pacientes que se identificam como portadores do HIV são dirigidos para hospitais, com declarações do gênero: ‘não atendemos pessoas como vocês’, ‘você será melhor atendido no hospital’, ‘não temos material adaptado’, ou simplesmente ‘não é possível’ - nesses casos, a recusa é taxativa, não há discussão, a pessoa recebe a mensagem clara de que é ‘persona non grata’ nesses consultórios.”

Outra constatação da Aides é que os pacientes são empurrados para consultas no final da tarde, com explicações sem fundamentos como ‘assim poderemos limpar bem o consultório depois’. “Como se o risco não pudesse vir também de pessoas que tratam de pacientes soropositivas sem tomar as precauções necessárias”, diz Marc Dixneuf.

Mais caro

Christiano Ramos, da ONG Amigos da Vida, denuncia que no Brasil, há profissionais que chegam a cobrar mais caro dos que se declaram soropositivos, “sob a alegação que correm um risco maior”. Fundada em 2000 e com sede em Brasília, a Amigos da Vida atua na promoção e defesa dos direitos humanos de pessoas vivendo com HIV/AIDS.

A cirurgiã-dentista Elis Fabiane, que atua em Paris, é contra a discriminação e defende o tratamento de soropositivos, mas diz que é preciso levar em conta os riscos nos casos em que os pacientes já manifestam doenças ligadas ao vírus. “Há o risco de debilitar ainda mais o doente”, explica.
 

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