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Reportagem

Taxistas franceses fazem greve geral contra concorrência ilegal

Áudio 05:21
Taxistas franceses paralisaram as atividades em protesto contra a concorrência desleal.
Taxistas franceses paralisaram as atividades em protesto contra a concorrência desleal. REUTERS/Charles Platiau

O trânsito parou nas principais cidades francesas nesta quinta-feira (25), principalmente na parte da manhã. Quase três mil motoristas de táxi se mobilizaram para protestar contra o que chamam de concorrência desleal. Os alvos eram os VTC (veículos de transporte com motorista) e serviços de táxi por aplicativos, como o Uber e o UberPOP, que é oferecido por motoristas comuns em carros particulares.

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Alguns departamentos franceses já proibiram esses serviços alternativos e o ministro do Interior Bernard Cazeneuve fez um apelo para que Paris fizesse o mesmo. A lei Thévenoud, de 2014, prevê que uma prestação remunerada de transporte de pessoas deve ser registrada como táxi ou VTC, sob pena de até um ano de prisão, € 15 mil de multa, suspensão da carteira de motorista e confisco do veículo.

Na região parisiense, os taxistas bloquearam locais estratégicos, como os acessos aos aeroportos Charles de Gaulle e Orly, e os arredores da Gare du Nord, de onde parte o Eurostar para Londres.

Nas primeiras horas da manhã, os taxistas montaram barricadas no anel viário periférico de Paris. Alguns motoristas exaltados furaram e queimaram pneus, viraram veículos e agrediram passageiros que estavam nos chamados VTC. Violências também foram registradas em Nice, Lyon e Estrasburgo.

Gare du Nord bloqueada

Na Gare du Nord, onde chegam muitos turistas pelo trem que vem do aeroporto Charles de Gaulle, ao norte de Paris, a frente da estação estava tomada por táxis parados, bloqueando toda a avenida. René, sindicalista, explica: “A mobilização de hoje acontece porque estamos no limite da paciência, essas empresas estão sabotando o nosso trabalho. Para começar, é um trabalho ilegal na França, pois é preciso ter uma licença, pagar impostos, e cumprir obrigações. Eles instrumentalizam a justiça e fazem de tudo para adiar ao máximo o momento em que deverão efetivamente terminar essa atividade. Mas, se depender da justiça, vamos ter de esperar dois, três, quatro, cinco anos para o único recurso. Até lá, com a nossa profissão, vamos estar mortos”.

Já o funcionário público Eric, morador da região, acha que há lugar para todos: “Essas companhias fizeram pesquisas de opinião e perceberam uma falha, principalmente a respeito de horários em que não há táxis na rua de Paris, tarde da noite. É difícil encontrar um táxi à meia-noite, às quatro da manhã. Os táxis comuns demoram muito e se você liga para um VTC, eles chegam em 15 minutos. Os táxis normais precisam repensar os horários de trabalho e dividir melhor os períodos”.

Turistas frustrados

A estação Gare du Nord, além de receber o fluxo de pessoas vindo do aeroporto Charles de Gaulle, também é ponto de partida e chegada do Eurostar e do Thalys, trens de grande velocidade que vão, respectivamente, para Londres e Bruxelas.

Ou seja, além de quem ficou preso no trânsito, outros prejudicados foram turistas, como Mark e sua família, um total de cinco adultos, com muitas malas. Eles tinham acabado de chegar do aeroporto Charles de Gaulle, vindos de Boston, nos Estados Unidos, e não sabiam da paralisação. “Queríamos pegar um táxi e isso é muito frustrante e confuso.”, disse. “Os trens são muito caóticos, é difícil de circular, tudo muito desorganizado”, acrescentou o turista americano.

Taxas

Os motoristas credenciados chegam a pagar € 200 mil pela licença em um ponto de táxi registrado na prefeitura. A oferta de carros com motorista fazendo serviço de táxi foi facilitada pelos aplicativos de celular, especialmente pela UberPop, uma start-up americana que sacudiu o setor do transporte. Cerca de um milhão de motoristas ocasionais trabalham através do UberPop em todo o mundo. Ele opera em mais de 50 países e 280 cidades.

O estatuto desses motoristas independentes exonera a UberPop de qualquer pagamento de salário, material e cobertura social. A cada corrida, a empresa embolsa 25% de cada corridas

 

 

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