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Reportagem

Brasileiras nos EUA preservam idioma e se apoiam em grupos engajados

Áudio 05:05
Isabella Lawen (à esq.) e Marisa Besselievre dedicam-se de corpo e alma aos grupos que tentam preservar a cultura brasileira e ajudar os expatriados.
Isabella Lawen (à esq.) e Marisa Besselievre dedicam-se de corpo e alma aos grupos que tentam preservar a cultura brasileira e ajudar os expatriados. Leticia Constant/ RFI

São centenas de mulheres brasileiras vindas de capitais, do interior, de vilarejos e zonas rurais. São professoras, donas de casa, advogadas, jornalistas, educadoras ou tradutoras. E se elas têm histórias e percursos distintos, todas têm em comum o fato de viver nos Estados Unidos e fazer parte de um grupo de convívio e apoio comunitário.

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Leticia Constant, enviada especial da RFI Brasil a Washington

A iniciativa das brasileiras formarem um grupo sempre começa pela vontade de se reunir, fazer amigas, trocar experiências, falar português e ampliar seu universo social e cultural. Casadas com americanos ou morando no país, elas terminam por se tornar uma referência de peso para a comunidade, que as procuram nos momentos difíceis.

Um dos primeiros grupos, Mães Brasileiras de Virgínia (MBV), foi criado em 2004 no Estado da Virginia, a 40 km de Washington, como relata a bibliotecária Isabella Lawen, que morou nos Estados Unidos entre 1982 e 1984, e há 14 anos voltou para ficar. “O MBV surgiu da necessidade de ‘mães de primeira viagem’ manterem suas raízes, falarem português. Isso não apenas pelo fato de serem casadas com americanos, mas também para que seus filhos pudessem falar o idioma com os avós. Esse era um ponto bem forte”, diz, ressaltando que essas mulheres sentiam necessidade de conversarem mais, sem se concentrar somente na criação de filhos.

“Tínhamos mulheres que não moravam na área ou que haviam se mudado e não tinham um ponto de apoio. Algumas não falavam inglês, se sentiam sozinhas, queriam perpetuar o português, sua cultura, e falar de outros assuntos que não fossem a maternidade”, completa Isabella.

Função de utilidade pública

A auditora Marisa Besselievre vive na Virginia há mais de 20 anos. Para ela, o grupo oferece uma convivência próxima que faz com que os momentos de saudade sejam mais esporádicos e o preço de ter deixado a terra natal, menor.

Marisa também comenta que o primeiro grupo foi se expandindo e se transformando em outros. “A divisão aconteceu no MBV. Primeiro começaram com uma cooperativa para poder se ensinar português para as crianças; dessa cooperativa surgiu o grupo ABRACE (Associação Brasileira de Cultura e Educação), que hoje em dia está cada vez mais forte, ensinando português não só para crianças como para adultos. Tem também o Mulher Brasil, enfim, damos muito suporte para as pessoas que estão aqui, em vários temas, jurídico, referências médicas, referências de trabalho, etc.”

O aspecto cultural é bastante cultivado através da organização das festas tradicionais como as festas juninas, o carnaval e o Natal “à brasileira”, como brincam as entrevistadas.

Apoio logístico e emocional

Mas não é somente na alegria que os grupos são atuantes. Diversas famílias também foram ajudadas em situações dramáticas. Marisa cita alguns exemplos, como apoio em um caso de câncer em que a pessoa estava isolada e a mãe brasileira que a acompanhava não falava inglês, além do auxílio econômico que a situação pedia. “Ajudamos quem perdeu sua propriedade devido a um incêndio, ajudamos emocionalmente alguém que perdeu o marido quando estava no final da gravidez, coisas que acontecem inesperadamente”, ela observa.

Barco Brasil

Da mesma forma que os grupos nascem espontaneamente, eles também vão se transformando. Nos últimos três anos, o MBV, mesmo se chamando Mães Brasileiras de Virgínia, começou a ter homens, pais, pessoas solteiras, avós, gays, pessoas sem filhos. “Há uma diversificação enorme. O conteúdo tem evoluído com o tempo - ainda bem !”, diz Marisa, sorrindo.

Isabella comenta que gostaria de ter mais atividades juntas e, com os olhos brincando, já tem uma ideia para o nome de um novo grupo: Barco Brasil. “Estamos todas no mesmo barco, e o barco vai indo e a gente tem que se ajudar. Barco Brasil é um bom nome, pois temos nossas características brasileiras mas estamos no barco americano e queremos manter essa unidade”, conclui Isabella, já motivada em começar a nova aventura.

 

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