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Reportagem

EUA têm interesse imediato em se unir ao Brasil na questão do clima

Áudio 05:45
Paulo Sotero em frente à Blair House, onde a presidente Dilma vai ficar hospedada.
Paulo Sotero em frente à Blair House, onde a presidente Dilma vai ficar hospedada. LC

A presidente brasileira Dilma Rousseff visita os Estados Unidos em um momento interno difícil, em que registra sua maior queda de popularidade e a economia caminha com dificuldade. Para analisarmos porque Dilma escolheu este período para fazer esta visita ao Tio Sam e em que passo estão as relações bilaterais, conversamos com Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Wilson Center, em Washington. 

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Leticia Constant, enviada especial da Radio França Internacional a Washington

Paulo Sotero explica que a Casa Branca havia proposto à presidente brasileira uma nova visita de Estado, com todas as pompas, no ano que vem. Mas Dilma optou por viajar agora porque, segundo ele, ela calcula que uma boa acolhida em Washington a ajudará a conter a perda de prestígio e credibilidade “em casa”. “A ocasião também é propícia para a retomada de laços econômicos e, se o Brasil for bem sucedido na restabilização da economia, se os esforços que estão sendo feitos derem bons resultados, poderá atrair mais investimentos”, diz o diretor do Instituto Brasil.

Brasil e EUA, relação emperrada

O entrevistado analisa que a relação entre os dois países tem sido difícil, uma relação que nunca se realiza nem entra numa fase produtiva. “A expectativa agora é que este momento permita que a relação bilateral entre numa fase mais produtiva. Pessoalmente, acho que isto vai depender muito mais do que acontecerá no Brasil nas próximas semanas e meses do que propriamente do que acontecer na visita".

Visão americana do Brasil

Paulo Sotero acredita que os Estados Unidos veem o Brasil como um nação vital na região, como um ator importante, quando quer ser, em grandes temas globais. Ele cita de imediato a questão do clima, por ocasião da Conferência da ONU para o Clima que se realizará em Paris no final de 2015, quando serão definidas as diretrizes que substituirão o Protocolo de Kyoto de 1997. “O Brasil será um país vital para a segurança alimentar deste planeta e os Estados Unidos acham que uma articulação com nosso país, tendo em vista a COP 21, pode reforçar muito a relação bilateral e este será, do ponto de vista da Casa Branca, o principal objetivo imediato”, observa Sotero.

O analista reflete que os Estados Unidos também esperam que o Brasil reencontre o caminho do crescimento, que se abra para o mundo, pois é uma economia muito isolada, e que desta forma volte a contribuir para a prosperidade da região. “O Brasil em recessão não ajuda ninguém. Eu acho que a visão americana é também que o Brasil é um país que pode, como democracia, ter um papel importante em segurança, em missões de paz, ter um papel internacional”, comenta Paulo Sotero, para quem o governo do ex-presidente Lula da Silva fez cálculos equivocados, tendo exagerado quanto à sua propria capacidade de participar dos grandes temas globais, e acabou por perder espaço.

Novo capítulo

“A diplomacia brasileira certamente hoje vive um momento mais acanhado, mas creio que do ponto de vista dos Estados Unidos há expectativa de que se abra um novo capítulo, que uma relação que foi frustante nos últimos tempos, se torne mais produtiva e consequente em benefício das duas sociedades, diz Sotero, afirmando que existe essa expectativa dos dois lados e também no Brasil. “Mas não é segredo para ninguém que há pessoas que têm uma visao negativa sobre uma maior proximidade com os Estados Unidos, nesse momento”, conclui o analista.

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