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Linha Direta

Israel aplica a extremistas judeus prisão preventiva usada contra palestinos

Áudio 04:59
Yishai Schlissel, acusado de esfaquear seis pessoas durante a Parada Gay de Jerusalém, em 31 de julho de 2015.
Yishai Schlissel, acusado de esfaquear seis pessoas durante a Parada Gay de Jerusalém, em 31 de julho de 2015. REUTERS/Muammar Awad

O governo israelense aprovou neste domingo (2) a detenção preventiva de cidadãos israelenses suspeitos de terrorismo contra palestinos. A medida foi tomada depois que um bebê palestino foi assassinado na Cisjordânia.

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Daniela Kresch, correspondente da Rádio França Internacional em Tel Aviv.

A prisão preventiva era usada apenas contra palestinos suspeitos de terrorismo contra israelenses. Mas o Gabinete de Segurança aprovou neste domingo, com aquiescência da Procuradoria do país, a detenção preventiva de cidadãos suspeitos de terrorismo contra palestinos.

O objetivo seria capturar os terroristas que lançaram uma bomba caseira contra a casa de uma família palestina no vilarejo de Duma, na Cisjordânia, na madrugada de sexta-feira passada, provocando um incêndio e a morte de Ali Dawabshe, um bebê de um ano e meio. Os pais e o irmão do bebê escaparam, mas ainda correm perigo de vida.

Em comunicado, o Gabinete de Segurança afirmou que as prisões preventivas, sem necessidade de julgamento prévio são necessárias “para levar os responsáveis à Justiça e prevenir ataques como esses no futuro”.

Até hoje, esse tipo de detenção era usado apenas para deter palestinos suspeitos de terrorismo.

ONGs de Direitos Humanos afirmam que há cerca de 5.400 palestinos presos em Israel através desse mecanismo.

O atentado

O atentado teria sido cometido por dois colonos judeus radicais numa espécie de vingança contra a derrubada de duas casas no assentamento israelense de Bethel, também na Cisjordânia, dois dias antes.

As casas foram destruídas por decisão da Suprema Corte por terem sido erguidas ilegalmente. Ao que tudo indica, alguns colonos não gostaram da decisão e decidiram incendiar uma casa palestina, em resposta.

Eles deixaram pichações com a palavra “vingança” em hebraico na parede da casa incendiada.

Há cerca de sete anos, colonos radicais cometem atos de vandalismo na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental sempre que são contrariados.

Esses radicais são estimados em apenas algumas centenas do meio milhão de colonos israelenses nos territórios palestinos.

No ano passado, três deles queimaram vivo o jovem palestino Mohamad Abu-Khdeir, de 16 anos, em Jerusalém Oriental, em vingança ao assassinato de três jovens israelenses pelo grupo islâmico Hamas, um mês antes.

Os dois incidentes levaram ao conflito do ano passado entre Israel e o Hamas, da Faixa de Gaza.

Desde o conflito, 15 israelenses foram mortos em atentados cometidos por palestinos, incluindo um bebê de 3 meses, em outubro passado.

Reações

O ataque foi condenado internacionalmente. A Casa Branca pediu que Israel encontre os culpados. E a União Europeia pediu “tolerância zero” para com terroristas.

Entre os palestinos, o caso causou protestos, levando a confrontos com forças de segurança de Israel - nos quais dois palestinos morreram - e promessas de vingança, principalmente por parte do Hamas.

Mas o atentado também chocou os israelenses e levou milhares de pessoas às ruas em solidariedade à família das vítimas palestinas.

Tanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto o presidente Reuven Rivlin foram visitar os feridos, que estão sendo tratados em hospitais israelenses.

Eles fizeram discursos e divulgaram diversos comunicados condenando o ato cruel e prometendo encontrar os criminosos.

Violência e morte na Parada Gay

Foi uma semana tensa em Israel, com embates físicos e ideológicos entre ativistas de esquerda e direita.

Começou com confrontos entre colonos e soldados israelenses no momento da destruição das duas casas na colônia de Bethel.

Dois dias depois, no Parada Gay de Jerusalém, um judeu ultraortodoxo fanático esfaqueou seis participantes.

A jovem Shira Banki, de 16 anos, sucumbiu neste domingo aos ferimentos e morreu, levando a mais uma onda de manifestações antiviolência por todo o país.

Por outro lado, alguns cidadãos demonstraram intolerância com ameaças de morte na internet ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, que condenou os ataques a palestinos e a homofobia.

A imprensa nacional destaca esse momento como uma encruzilhada nos 67 anos de Israel.

Formadores de opinião pedem aos governantes e ao povo que repensem o caminho da sociedade israelense em meio aos casos de ódio.

 

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