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Ciência e Tecnologia

Facebook se prepara para rivalizar com Google na publicidade online

Áudio 05:54
Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, em palestra nos EUA.
Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, em palestra nos EUA. Reprodução Facebook

Os resultados financeiros do Facebook divulgados na última quarta-feira (29) mostram que deu certo a estratégia da empresa em transformar em dinheiro aquilo que antes eram apenas usuários. Tudo isso graças à publicidade. Ou melhor, graças às informações que obtém de seus usuários e que fornece a quem quer anunciar na rede de forma eficiente.

Publicidade

Os novos recursos integrados pelo Facebook nos últimos meses, como a otimização da experiência com vídeos e o melhor diálogo com sites de notícia, está fazendo a rede social cruzar o caminho de vários outros gigantes da internet como Amazon, Yahoo e, principalmente, o Google, um dos líderes no segmento de publicidade online.

"Estamos hoje diante de um verdadeiro fenômeno, que nos mostra que o Facebook mudou e evoluiu o seu modelo nos últimos 10 anos”, afirma Xavier Bouvier, professor de marketing digital na universidade francesa de Evry Val d'Essonne. Para ele, que também dirige a Efreitech, uma das academias digitais pioneiras da região parisiense, a mudança mais recente foi a capacidade do Facebook de monetizar. “Hoje em dia, o valor de uma empresa na internet é ligado à capacidade de gerir uma grande quantidade de dados, o que chamamos de ‘big data’, e, em seguida, explorar estes dados e revendê-los.”

Rafael Almeida de Oliveira, diretor de marketing da agência Beeleads, é responsável pela estratégia de propaganda digital de alguns dos gigantes da indústria brasileira. Ele afirma que o boom do Facebook chega em um momento em que os anunciantes buscavam novas opções na internet: “Ele vem para ser um concorrente do Google. Muitos clientes dependiam exclusivamente de ações do Google para fechar suas contas operacionais. O Facebook vem, de certa maneira, ajudar uma parte interessante do mercado que não vinha conseguindo atingir um patamar de conversão por conta de toda concorrência que havia dentro dos buscadores, Google sendo o carro-chefe.”

Apenas no segundo trimestre de 2015, o Facebook viu seu volume de negócios aumentar 39% em relação a 2014, atingindo US$ 4 bilhões. O Google ainda domina amplamente o mercado da publicidade online, abocanhando 31% do bolo. Mas este número ficou estagnado de 2014 para 2015, enquanto o Facebook saltou de 8% para 9%. Bem longe deles fica o Twitter, que ainda pena para monetizar, ficando apenas com 1% do mercado publicitário online.

Audiência móvel saltou a 75%

O sucesso da monetização do Facebook não veio do nada. A empresa claramente foi mudando, ainda que aos poucos, o perfil de seu conteúdo. Passo importante foi a adaptação aos smartphones, processo fundamental para evitar a rejeição das novas gerações, que era verificada no inicio da década. Resultado: a audiência móvel saltou de 0% em 2012 para 75% atualmente.

A quantidade de informações sobre o comportamento do usuário que o Facebook pode fornecer é o sonho de todo profissional de marketing. “Ele faz uma busca de pessoas que curtem coisas e consomem conteúdos similares e identifica potenciais novos compradores pra você”, explica Oliveira. “Os anunciantes ainda estão aprendendo a explorar todas as ferramentas que ele tem.”

Muitos apostavam que o surgimento de redes sociais mais adaptadas às novas gerações, como o Instagram e o Snapchat, poderia ameaçar a sobrevivência do Facebook, que demorou a se adaptar ao mundo mobile. Mas a rejeição à rede de Mark Zuckerberg, segundo Xavier Bouvier, não passa de discurso. “É verdade que surgiu uma espécie de rejeição, talvez até uma forma de esnobismo de dizer ‘prefiro viver sem Facebook’. Mas nada que tenha gerado uma debandada massiva de usuários. Quando vemos os dois números, tanto o de usuários quanto o volume de negócios do Facebook, percebemos que há uma tendência de fundo que é de crescimento da audiência."

No ranking de popularidade, o Facebook ainda lidera com folga com seu 1,5 bilhão de usuários, contra 302 milhões do Google Plus e do Twitter, seguidos pelo Instagram, que pertence ao próprio Facebook e conta com 300 milhões de usuários.

 

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