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Linha Direta

Primárias por voto popular na Argentina se assemelham a 1° turno presidencial

Áudio 06:17
Buenos Aires invadida por banners publicitários de Daniel Scioli (centro) e outros candidatos às eleições presidenciais na Argentina, em foto de 5 de agosto de 2015.
Buenos Aires invadida por banners publicitários de Daniel Scioli (centro) e outros candidatos às eleições presidenciais na Argentina, em foto de 5 de agosto de 2015. REUTERS/Marcos Brindicci

A Argentina começa a escolher um novo presidente. No próximo domingo (9), os argentinos vão às urnas para decidirem quais dos pré-candidatos querem que sejam candidatos nas eleições de outubro.No mundo, essa escolha é feita internamente pelos partidos, mas na Argentina, desde 2011, as primárias passaram a ser feitas pela população como numa eleição geral.

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Marcio Resende, correspondente da RFI Brasil em Buenos Aires

As primárias partidárias funcionam virtualmente como um primeiro turno das eleições.Por isso, o resultado das urnas no próximo domingo deve definir quais serão os dois candidatos com chances de polarizar a disputa entre o do governo e o da oposição.

Podemos nos perguntar porque as eleições de domingo são decisivas se ainda não se elege presidente, apenas os candidatos a presidente. Bem, como cada eleitor vai votar naquele que pretende votar em outubro, as eleições funcionam como a mais exata das pesquisas de intenção de voto, como um pleito antecipado.

São as chamadas PASO ( Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), uma experiência única. Em vez de os partidos escolherem os seu candidatos, é a população que faz esse trabalho.O problema é que a metade dos partidos tem candidato único.Portanto, já está escolhido. E na outra metade já se sabe qual candidato vai ganhar. Portanto, é como se fosse um primeiro turno.

Se for difícil entender, não se preocupem porque desde 2011, quando essa experiência passou a existir, os eleitores argentinos também não entendem exatamente do que se trata.

A sociedade argentina está hoje polarizada entre pró e anti Kirchner, entre governo e oposição. Portanto, as eleições de domingo vão definir quais são os dois candidatos com chance de ganhar em outubro. Um pelo lado do governo; outro pela oposição. E a tendência é que os votos daqueles que ficaram em terceiro, quarto ou quinto lugar migrem para algum dos dois candidatos, como acontece durante a disputa de segundo turno.

Por exemplo, o voto opositor deve todo se aglutinar naquele candidato da oposição que tiver chance de vencer o candidato do governo. Exatamente como acontece no segundo turno. Por isso, é como se fosse um primeiro turno.

Esse cabo-de-guerra deve começar na segunda-feira (10) e durar até o dia 25 de outubro, quando as eleições serão para valer.

O que está em jogo nesse processo eleitoral

Além de presidente, o Parlamento será renovado parcialmente. Metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado. Depois de 12 anos de governos Kirchner, primeiro o ex-presidente Néstor Kirchner; depois Cristina Kirchner, está em jogo a possibilidade de um novo tempo político na Argentina ou de continuar com a mesma política. Ou seja: está em jogo a continuidade ou a mudança.

A Argentina é hoje um país esgotado política e economicamente. Se o candidato do governo ganhar, no máximo, pode haver uma mudança de forma, de estilo.  Se a oposição ganhar e, pela primeira vez desde 2003, existe essa possibilidade, muita coisa deve mudar.

Candidatos

São três os candidatos com mais chances, um do governo e dois da oposição.

O candidato do governo é Daniel Scioli, atual governador da Província de Buenos Aires, a mais importante do país com quase 40% dos votos.  É onde se define qualquer eleição nacional.

Pela oposição, Mauricio Macri, governador do Distrito Federal, a cidade de Buenos Aires. E Sergio Massa, deputado, ex-prefeito do município de Tigre na região metropolitana de Buenos Aires e ex-ministro chefe do gabinete de Cristina Kirchner em 2008.

Segundo as pesquisas, o candidato do governo está à frente. Logo depois vem Macri e mais atrás Massa.

É um cenário até parecido com o que foram as eleições no Brasil no ano passado com a candidata Dilma Rousseff à frente e com dois candidatos da oposição, Aécio Neves e Marina Silva, atrás.  E a tendência é de que aconteça algo parecido com o voto opositor.

Paridade igual à do Brasil no segundo turno

A disputa pode terminar com a mesma paridade vista no Brasil no segundo turno. Para a eleição de domingo, o mais importante será a diferença entre o candidato do governo, Daniel Scioli, e o candidato que vai representar a oposição, provavelmente Macri, segundo as pesquisas.

É preciso ver quão perto dos 45% dos votos Scioli pode ficar ou se ele consegue chegar aos 40% dos votos já no domingo. E qual será a diferença de votos dele com o segundo colocado. E por que esses números? Porque o sistema argentino tem outra particularidade: na Argentina, para um candidato a presidente ganhar logo no primeiro turno, basta obter 45% dos votos. Também será eleito se atingir só 40% dos votos, desde que haja um diferença de, pelo menos, 10 pontos sobre o segundo colocado. No fundo, o sistema argentino está feito para que não haja segundo turno e para que ganhe o candidato do governo. É um sistema difícil para a oposição ganhar, ainda mais quando está dividida. E a oposição sempre está dividida.

 

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