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Linha Direta

Presos palestinos podem fazer greve de fome após caso de Mohammed Allan

Áudio 04:26
Palestinos de Hebron, na Faixa de Gaza, acendem velas em pôsteres com fotos de Mohammed Allan, detido em Israel, durante protesto, em imagem de 19 de agosto de 2015.
Palestinos de Hebron, na Faixa de Gaza, acendem velas em pôsteres com fotos de Mohammed Allan, detido em Israel, durante protesto, em imagem de 19 de agosto de 2015. REUTERS/Mussa Qawasma

A greve de fome de um preso palestino em Israel tem o potencial de acender mais uma chama de violência entre os dois povos. A detenção do palestino Mohammed Allan, acusado de terrorismo por Israel, foi suspensa pelo Supremo Tribunal do país na quarta-feira (19),  depois de 65 dias de jejum.

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 Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

A decisão do Supremo foi tomada depois que a condição médica de Mohammed Allan, um advogado de 31 anos da cidade de Nablus, na Cisjordânia, piorou por causa da greve de fome que ele começou a fazer no dia 16 de junho.

Líder do grupo Jihad Islâmica, que defende a luta armada contra Israel, Allan estava detido desde novembro sem que houvesse qualquer acusação formal contra ele. Ele decidiu, então, jejuar em protesto.

Na sexta-feira passada (14), o detento perdeu os sentidos, retomados na terça-feira (18), o suficiente para rejeitar a oferta do governo israelense de libertá-lo imediatamente em troca de que ele se exilasse por pelo menos quatro anos. Ontem, no entanto, a situação do prisioneiro pirou novamente e ele parou de se comunicar.

Diante desse quadro médico, os juízes do Supremo decidiram suspender a prisão dele. A greve de fome também foi suspensa, mas os médicos revelaram que houve dano cerebral depois que ele foi submetido a um exame de ressonância magnética.

Impacto dos dois lados

O caso de Mohammed Allan é destaque entre palestinos e israelenses por causa do temor de que sua morte seja o estopim para uma revolta popular, uma nova intifada palestina contra Israel. Os palestinos consideram a prisão preventiva arbitrária e vão culpar Israel.

O caso também trouxe à tona uma lei que o Parlamento israelense aprovou, há poucas semanas, aprovando a alimentação à força de grevistas de fome. Diversos países, como Estados Unidos, Austrália, Áustria, Alemanha e Suíça permitem a alimentação forçada de presos.

Mas associações de médicos de Israel disseram vão se opor a isso por se tratar de uma espécie de tortura que poderia, por si só, levar à morte do prisioneiro.

O único hospital em Israel que aceitou cumprir a nova lei foi o Centro Médico Barzilai, na cidade de Ashkelon.

Lá, Allan recebeu água, potássio e sais minerais de forma intravenosa quando ele perdeu os sentidos, na sexta-feira. Mas na terça, quando retomou a consciência, afirmou que não queria mais o tratamento.

Palestinos detidos por Israel

Sim, há cerca de 350 palestinos detidos em Israel através de prisão preventiva. Eles não têm data para julgamento nem sabem exatamente do que são acusados. Israel alega que eles são envolvidos com terrorismo, mas que as provas são confidenciais. Muitos fazem greve de fome para protestar.

O dado mais recente, divulgado pela agência de notícias palestina Maan, dá conta de que nada menos do que 250 deles entraram em greve de fome ontem (19).  É justamente isso que temiam os israelenses: que a libertação de Mohammed Allan abrisse um precedente e levasse a uma greve de fome em massa.

Pelo menos oito presos palestinos foram libertados nos últimos anos depois de entrarem em greve de fome.

Presos tem feito greve de fome há décadas. Nos anos 80, dez irlandeses da organização paramilitar IRA morreram dessa forma em prisões britânicas.

Prisão preventiva

A prisão preventiva não é aplicada apenas contra palestinos suspeitos de terrorismo. Até bem pouco tempo,
Israel só detinha palestinos suspeitos de terrorismo com essa ferramenta judicial. Mas, recentemente, esse tipo de detenção foi aprovada também para israelenses.

Um grupo de judeus extremistas foi preso depois que dois palestinos, um bebê e seu pai, morreram num atentado supostamente cometido por colonos israelenses no vilarejo de Duma, na Cisjordânia.

Um dos colonos teria, segundo as suspeitas, lançado uma bomba caseira contra a casa da família, que pegou fogo. A mãe e o irmão continuam internados com queimaduras de terceiro grau.

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