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Crise na economia chinesa impacta exportações brasileiras

Áudio 06:30
Queda na bolsa chinesa provocou pânico nos mercados financeiros.
Queda na bolsa chinesa provocou pânico nos mercados financeiros. REUTERS/Stringer

A queda acentuada das bolsas chinesas, que atingiu 8,49% no início desta semana, a maior desde 2007, provocou um efeito dominó nos mercados financeiros internacionais - inclusive o brasileiro. A razão por trás do crash foi a falta de medidas do Banco Central da China para estimular o crédito, o que decepcionou os investidores.

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O economista Pedro Frizo, do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (Ceiri), explica que a crise impacta as exportações de commodities brasileiras. "A crise é um reflexo da própria economia da China. O que vem acontecendo é uma queda das projeções futuras do crescimento econômico da China e, por consequência, isso afeta várias companhias de todo o mundo, tanto da Europa e dos Estados Unidos e, principalmente, do Brasil, como empresas como a Vale e outras que exploram principalmente minério e outro tipo de commodities", explica.

E acrescenta: "Essa redução no crescimento econômico na China, por consequência, tem um impacto significativo no nível de exportação das empresas brasileiras. O impacto principal é que ela pode prejudicar a nossa balança comercial".

O economista André Nassif, professor da Fundação Getúlio Vargas, diz que o valor dessas commodities também cai no mercado mundial. "Com a queda da demanda chinesa, não só vai ter uma queda das exportações desses produtos, como provavelmente vai continuar havendo uma queda do preço no mercado internacional."

Pressão sobre o real

As moedas dos países emergentes também têm sido pressionadas pelo turbilhão asiático. "Como a crise provoca desconfiança e uma perspectiva de queda nas taxas de lucro das empresas, essas empresas e os grandes investidores migram para as principais moedas, mais seguras, como o dólar e o euro. O euro teve uma significativa valorização frente ao dólar, mas as moedas dos países emergentes, como o real, se desvalorizaram. O dólar chegou quase a R$ 3,60, uma desvalorização significativa. Isso no cenário de pressão inflacionária, como no Brasil hoje, pode significar um grande risco para o controle da inflação, que o Banco Central tem tentado fazer nos últimos tempos", explica Frizo.

Nassif projeta um possível cenário sombrio para o câmbio brasileiro. "Há analistas que comentam que, dependendo do que acontecer nas próximas semanas ou meses, se os mercados financeiros não se acalmarem, a taxa de câmbio pode chegar a R$ 4 por um dólar", afirma.

Medidas para conter a queda

Na terça-feira, o Banco Central da China adotou medidas na tentativa de conter a queda das bolsas, como redução das reservas compulsórias dos bancos e corte na taxa de juros. Para Frizo, essas medidas não solucionam a crise. "Elas significam mais um atrativo para os investidores continuarem a atuar na China, mas elas não resolvem o cerne do problema, que é a queda na projeção das taxas de lucro. Então elas podem ser medidas de curto prazo, mas não acredito que vão impactar significativamente na confiança dos investidores, porque há algo maior em jogo, que é a queda no ritmo de crescimento chinês. E isso não pode ser contido com medidas paliativas como essas."

A superação da crise, segundo Nassif, depende de um fator fundamental.  "Depende da reação das famílias chinesas, que são os consumidores, em relação a esse estímulo de crédito. Porque, quando você reduz o compulsório dos bancos e a taxa de juros, em tese os bancos ficam mais propensos a desaguar esses canais adicionais de crédito no setor privado", explica.

Brasil tem que se manter atraente

Nesse contexto, Frizo diz o que o Brasil pode fazer para reduzir o impacto vindo da Ásia. "As medidas ideais seriam de longo prazo. No curto prazo não teria muita coisa a fazer, apenas manter a atratividade dos investimentos estrangeiros diretos para equilibrar essa possível deterioração das contas internacionais do Brasil. Mas, no longo prazo, o ideal seria um crescente incentivo às atividades industriais no Brasil porque dessa forma o país não seria tão dependente da exploração e exportação de commodities e não teria 54% da pauta de exportações dominados por produtos primários."

Segundo ele, a exploração das commodities "proporciona lucros extraordinários em determinados períodos, como entre 2004 e 2008, mas sofre com períodos de baixa nos preços internacionais das commodities, que é o que está acontecendo agora".

Frizo acrescenta: " Essa queda nos preços internacionais tende a se acentuar ainda mais com a redução do crescimento chinês. Então, se há uma política econômica que o governo poderia desenvolver a longo prazo, seria de expandir e incentivar as atividades industriais e a qualificação da mão de obra brasileira. Isso com certeza reduziria essa dependência das commodities e aumentaria o nível de investimento estrangeiro direto no Brasil".

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