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Alemanha é modelo de acolhimento de imigrantes na Europa, diz Libération

Merkel foi vaiada por militantes de extrema-direita quando visitou o centro de refugiados de Heidenau, no dia 26, mas disse que não vai tolerar a violência.
Merkel foi vaiada por militantes de extrema-direita quando visitou o centro de refugiados de Heidenau, no dia 26, mas disse que não vai tolerar a violência. REUTERS/Axel Schmidt

A crise dos migrantes na Europa é um dos principais destaques dos jornais desta sexta-feira (28). A descoberta de dezenas de corpos de migrantes nessa quinta-feira na Áustria, abandonados em um caminhão frigorífico à beira de uma estrada no leste do país, gera indignação na imprensa.

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"O caminhão da vergonha", diz em tom indignado Libération exibindo a imagem de policiais inspecionando o caminhão, no qual está estampada a marca de um frigorífico eslovaco. Um balanço divulgado hoje pelo governo austríaco aponta que os policiais retiraram 71 corpos do caminhão, quando num primeiro momento foi noticiada a presença de 20 a 50 pessoas. Os corpos estavam em estado de decomposição − uma história macabra sobre a situação dos refugiados. Documentos encontrados com as vítimas indicam que, provavelmente, eram sírios.

Libération lembra que outros 50 migrantes morreram asfixiados nessa quinta-feira em um barco com clandestinos que fazia a travessia do Mar Mediterrâneo. "Os países europeus continuam incapazes de gerenciar o fluxo de candidatos a asilo", referindo-se aos sírios, paquistaneses, afegãos e norte-africanos que fogem de zonas de guerra. "Quantas pessoas ainda terão de morrer para que os dirigentes europeus assumam sua responsabilidade histórica?", questiona Libération, julgando que a política europeia de imigração é "insuportável".

Alemanha é exemplar, estima Libération

Por outro lado, o jornal considera que a Alemanha tem sido exemplar na forma como acolhe os refugiados. O símbolo dessa determinação foi a visita da chanceler Angela Merkel, na quarta-feira, a um centro de candidatos a asilo atacado recentemente por extremistas de direita. No local, Merkel disse que seu país não vai tolerar a violência "abjeta" dos fascistas.

Este ano, a Alemanha se prepara para receber 800 mil exilados, quatro vezes mais do que no ano passado. Para o Libération, Merkel soube explicar aos alemães a responsabilidade do país, enquanto primeira potência europeia. Por isso, ela tem o apoio da opinião pública alemã, segundo o jornal. Os alemães também sabem que, por causa do declínio demográfico, daqui a 15 anos o país poderá precisar de 6 milhões de trabalhadores estrangeiros.

Xenófobos e nacionalistas estão em minoria na Alemanha, o que não é o caso em outros países do leste da Europa, como na Hungria, por exemplo, governada e identificada com um líder e políticas de extrema-direita.

Centros de triagem

Em entrevista ao jornal conservador Le Figaro, o diretor-executivo da Frontex (agência europeia de segurança nas fronteiras), Fabrice Leggeri, estima que a crise dos migrantes mudou de natureza nas últimas semanas e exige maior solidariedade por parte dos países europeus. Ele lembra que de janeiro a julho, a União Europeia registrou a chegada de 340 mil imigrantes em situação irregular, o que representa um aumento de 175%.

Na entrevista, o diretor da Frontex defende a criação urgente de centros de triagem nos países que estão recebendo essa onda de migrantes, para que as pessoas com direito a asilo possam ser identificadas e encaminhadas mais rapidamente. Ele também afirma que é preciso coordenar de forma mais eficaz o retorno dos migrantes que não preenchem os critérios de asilo a seus países de origem .

Segundo o diretor da Frontex, a maior parte dos migrantes que estão passando pelo leste da Europa tem direito a asilo político − são em sua maioria famílias sírias −, enquanto a migração no Mediterrâneo continua sendo por motivação econômica e deve ser combatida.

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