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Meio Ambiente

"Torre Eiffel" da Amazônia pode revolucionar as pesquisas sobre mudanças climáticas

Áudio 04:16
Observatório da Torre Alta da Amazônia (Atto).
Observatório da Torre Alta da Amazônia (Atto). AFP PHOTO / RAPHAEL ALVES

Depois de um ano de construção, a maior torre de monitoramento ambiental do mundo foi inaugurada no último mês de agosto em São Sebastião do Uatumã (AM), no coração da floresta amazônica. Com 325 metros de altura, o Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, sigla em inglês) colocou o Brasil em um seleto grupo de países que realizam estudos climáticos de alta complexidade e pode trazer informações importantes sobre mudanças ambientais em todo o mundo. A previsão é de que o observatório comece a funcionar integralmente daqui a um ano.

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A construção do Atto foi financiada pelos governos do Brasil e da Alemanha, em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto alemão Max Planck. Só da equipe brasileira, mais de 20 instituições têm pesquisadores trabalhando no projeto que se concentrará em estudos sobre a interação sobre a mata e o clima.

Paulo Artaxo, professor de física atmosférica da USP e pesquisador do Programa de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), trabalha no projeto. Em entrevista à RFI Brasil, ele explicou que a torre é a única localizada em regiões tropicais do nosso planeta. "Nas florestas tropicais é onde se concentram as maiores questões associadas às mudanças climáticas. Essas regiões são fontes importantíssimas de vapor de água para a atmosfera global e, portanto, controlam o ciclo hidrológico do nosso planeta."

Torre Eiffel da Amazônia

Apresentada como sendo maior até mesmo do que a torre Eiffel, que tem 300 metros, a altura do Atto também é um dos fatores que o torna tão especial para as pesquisas climáticas, segundo o coordenador do polo brasileiro do projeto e pesquisador do Inpa, Antonio Ocimar Manzi. "Como analisamos as partículas que o vento traz, a altura da torre é extremamente importante. Afinal, quanto mais alto chegamos, mais obtemos amostras que interagiram com uma superfície maior", explica.

Outras torres menores com objetivos similares à Atto já existem na região. Mas o novo sistema vai trazer resultados ainda melhores, aposta Manzi. "Uma torre com 60 metros de altura está, em média, cerca de 20 metros acima da copa das árvores e as amostras coletadas vêm de uma área de poucos quilômetros. Uma torre com algumas centenas de metros de altura, como é o caso da Atto, tem possibilidade de captar partículpas que viajaram dezenas de quilômetros, talvez até centenas de quilômetros, dependendo das condições atmosféricas", ressalta.

Local estratégico

A escolha do local para a torre ser instalada não aconteceu por acaso. Os pesquisadores calculam que nos próximos 30 anos nenhuma interferência humana será registrada na região, o que é fundamental para o projeto, segundo Artaxo. "Para obtermos melhores resultados, estabelecemos que a torre teria que ficar em um lugar o mais longe possível de interferências antropogênicas. Desta forma, poderemos entender melhor os processos nas condições mais naturais possíveis."

Parceria alemã

De acordo com Manzi, dois principais motivos resultaram na parceria do Brasil com a Alemanha para realizar o projeto. "A Amazônia tem um estoque de carbono muito grande, por isso ela atrai um interesse mundial. Além disso, a Alemanha e o Brasil têm cooperações em pesquisas na Amazônia há mais de 30 anos."

Os governos brasileiro e alemão investiram juntos € 8 milhões na construção da torre. Embora já tenha sido inaugurado, o Atto continua sendo equipado e entrará gradativamente em funcionamento. Manzi calcula que o observatório estará completo e em plena atividade até o final de 2016.

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