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Queda do desmatamento nos últimos 25 anos é boa notícia para o clima

Sala plenária da 14ª edição do Congresso Florestal Mundial em Durban, na África do Sul.
Sala plenária da 14ª edição do Congresso Florestal Mundial em Durban, na África do Sul. facebook.com/XIVWorldForestryCongress2015

O planeta perdeu 129 milhões de hectares de florestas em 25 anos, o equivalente à superfície da África do Sul, mas o ritmo de desaparecimento registrou clara desaceleração, uma situação "alentadora", segundo a ONU, que divulgou um relatório sobre o tema nesta segunda-feira (7).

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"Embora em escala mundial a extensão das florestas continue diminuindo, ao mesmo tempo que avançam o crescimento demográfico e a intensificação da demanda de alimentos e terras, o índice de perda líquida de bosques caiu mais de 50% entre 1990 e 2015", revela o documento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O documento, com título "Como mudam as florestas do planeta?", foi divulgado na 14ª edição do Congresso Florestal Mundial, que acontece até sexta-feira na cidade sul-africana de Durban.

Apesar da boa notícia do relatório, a superfície florestal no planeta diminuiu em 3,1% nos últimos 25 anos, passando de 4,128 bilhões em 1990 a 3,999 bilhões de hectares em 2015. Concretamente, a taxa anual de perda líquida de florestas (que inclui as plantações de bosques novos) passou de 0,18% nos anos 1990 a 0,08% nos últimos cinco anos.

As principais perdas aconteceram nos trópicos, em particular na América do Sul e África, mas as taxas de desaparecimento registraram fortes quedas nos últimos cinco anos, destaca o relatório.

A evolução geral observada é "positiva, com avanços impressionantes em todas as regiões do globo", incluindo nas florestas tropicais da América do Sul e da África, disse o diretor geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva. Mas ele advertiu que a tendência positiva deve ser consolidada.

Hollande alerta para risco de fracasso na conferência do clima

Os bosques são um elemento chave das negociações da ONU que começam em outubro em Bonn (Alemanha), antes de um possível acordo na conferência sobre o clima de Paris em dezembro. Além de proporcionar oxigênio, combustível e materiais de construção, as árvores armazenam importantes quantidades de gás carbônico que, quando liberadas, contribuem para o aquecimento global.

Em entrevista nesta terça-feira, em Paris, o presidente François Hollande alertou para um risco de fracasso da conferência, "se os países ricos não se comprometerem com o financiamento das políticas climáticas nos países em desenvolvimento". Os mecanismos de financiamento e a transferência de tecnologia que são exigidos pelos países emergentes e do sul em troca da assinatura de um acordo global serão discutidos em um encontro nos dias 13 e 14 de setembro, na França. Cerca de 37 ministros e representantes de 57 países estarão presentes.

Superfície de bosques deve diminuir

A FAO adverte que a superfície de bosques seguirá provavelmente em queda, em especial nos trópicos, sobretudo pela atividade agrícola. "Mas com a demanda crescente de produtos florestais e serviços ambientais, a previsão é de aumento nos próximos anos da superfície de bosques plantados", afirma o relatório.

Desde 1990, a superfície de florestas plantadas aumentou em mais de 110 milhões de hectares, representando agora 7% da superfície planetária dos bosques.

O documento indica ainda que o crescimento demográfico mundial reduz a superfície de bosques por habitante. Mas, destaca, a FAO, esta é uma "tendência que perdura há milênios".

A natureza relativamente otimista do relatório levanta a questão de saber se as organizações de defesa do meio ambiente não foram muito alarmistas. Mas o coordenador do relatório da FAO, Kenneth MacDicken, destacou que essas organizações contribuíram para os progressos registrados, com medidas que permitiram reduzir o índice de perdas de florestas.

Com informações da AFP
 

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