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Monarquia da Arábia Saudita sofrerá consequências por tragédia durante peregrinação

Equipes de socorro transportam o corpo de uma das 717 vítimas fatais da tragédia.
Equipes de socorro transportam o corpo de uma das 717 vítimas fatais da tragédia. REUTERS/Stringer

Os jornais franceses desta sexta-feira (25) repercutem a tragédia na Arábia Saudita que resultou em mais de 700 mortos durante a tradicional peregrinação anual a Meca. Apesar das autoridades locais tentarem minimizar sua responsabilidade na catástrofe mais grave dos últimos 25 anos no país, a monarquia saudita está sendo duramente criticada pela gestão dos locais sagrados do Islã.

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"A peregrinação mortal." Este foi o título da manchete do Aujourd'hui en France para relatar a tragédia que deixou 717 mortos e 863 feridos. Este novo drama relança a polêmica sobre a capacidade do governo saudita em gerenciar Meca e outros locais sagrados do Islã.

O ministro saudita da Saúde atribuiu a responsabilidade da tragédia à indisciplina dos muçulmanos que participam da peregrinação. Isto porque os fiéis, segundo ele, não respeitam as instruções nem os horários de visita aos locais sagrados estabelecidos pelos responsáveis pela organização dessa tradição religiosa.

Esse argumento é contestado por especialistas que denunciam uma falta de estratégia do governo na gestão do evento, cada ano maior. Os principais problemas seriam a falta de controle das multidões e falhas no sistema de segurança, apesar das recentes medidas para melhorar a infraestrutura.

Em editorial, Aujourd"hui en France lembra que no vale de Mina, onde aconteceu a catástrofe ontem, mais de 3.500 pessoas morreram nos últimos 15 anos. Segundo o jornal, as justificativas do governo, já repetidas em situações anteriores, "não podem tirar das autoridades a responsabilidade por mais essa tragédia".

A cidade de Mina, perto de Meca, onde aconteceu o tumulto, no dia  24 de setembro de 2015.
A cidade de Mina, perto de Meca, onde aconteceu o tumulto, no dia 24 de setembro de 2015. REUTERS/Ahmad Masood

Repercussão para a monarquia saudita

Para Libération, o drama fragiliza a monarquia saudita, acusada de responsabilidade por um "horror que se repete". O jornal lembra que a catástrofe aconteceu no primeiro dia da Aid al-Adha, conhecida como Festa do Sacrifício e a mais importante celebração religiosa para o Islã.

O tumulto aconteceu no vale de Mina, próximo da ponte de Jamarat, construída na década passada por um custo de U$ 1 bilhão com o objetivo de melhorar a segurança dos fiéis.

Libération comenta que as autoridades mais uma vez rejeitaram a responsabilidade pela tragédia, acusando os fiéis de "indisciplina". O jornal francês também informa que as redes sociais exibiram imagens e vídeos de cadáveres amontoados, e os serviços de emergência completamente saturados diante da dimensão da tragédia.

Segundo Libé, a catástrofe desta quinta-feira acontece em um momento delicado para a monarquia saudita, envolvida em dois conflitos político-religiosos: por um lado com o Irã, com quem trava uma disputa no Iêmen, e por outro lado, contra o grupo Estado Islâmico, que luta pela queda do regime sírio. O grave incidente vai ser explorado à exaustão pelos inimigos da monarquia saudita, afirma o jornal.

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