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Europa/Migração

Visitas de Putin e Erdogan são determinantes para crise migratória

O presidente russo Vladimir Putin (e) durante encontro com o líder francês, François Hollande
O presidente russo Vladimir Putin (e) durante encontro com o líder francês, François Hollande

Este fim de semana caiu entre duas importantíssimas visitas vindas do leste para a Europa ocidental. O primeiro, que se encontrou ontem com o presidente francês François Hollande, em Paris, foi o líder russo Vladimir Putin. E o outro, que se reunirá com a cúpula das instituições europeias na próxima segunda-feira, é o chefe do Estado turco, Recep Tayyip Erdogan.

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Atualmente, esses dois mandatários de biografias controversas e relações tensas com as potências ocidentais, podem ser os mais importantes atores na crise migratória de proporções bíblicas que o continente enfrenta. Não à toa, esses encontros receberam destaque nos principais jornais franceses deste sábado (3).

O vespertino Le Monde traz a fotografia de um François Hollande constrangido, que aperta a mão de Putin no Palácio do Eliseu, sem olhar para o colega. Os dois, que deveriam discutir a aplicação do tratado de Minsk pela paz na Ucrânia, acabaram falando por mais de uma hora sobre a Síria. Isso porque, na quarta-feira, Moscou começou a bombardear posições no país governado por seu aliado, Bashar al-Assad.

Apesar de o Kremlin alegar que estes ataques estão em perfeita conformidade com o direito internacional, o Ocidente desconfia que o objetivo dos russos não é impedir o avanço do grupo Estado Islâmico mas, simplesmente, assegurar al-Assad. Prova disso é que, durante dois dias, os russos não efetuaram nenhum disparo contra zonas dominadas pelos jihadistas, mas atacaram outros opositores do presidente sírio, inclusive grupos sunitas moderados, com um custo de ao menos 40 civis mortos. Para o presidente americano, Barack Obama, uma atuação que pode levar ao caos e à radicalização.

Balde de água fria

Esta ofensiva, que Moscou já anunciou que deve se intensificar e se estender por pelo menos três meses, também joga um balde de água fria nos planos da Turquia. Ankara usa a guerra contra o grupo Estado Islâmico como pretexto para atacar as forças ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que são justamente as tropas que obtiveram as maiores vitórias militares contra os jihadistas.

A Europa, incapaz de encontrar uma solução conjunta para lidar com a crise migratória gerada, principalmente, pela violência da organização sunita ultrarradical, propôs aos vizinhos da Síria, dos quais a Turquia é a mais poderosa, uma doação 1 bilhão de euros para que estes países acolhessem e selecionassem os migrantes antes que eles cruzassem os limites europeus.

Se a Turquia aceitasse essa ideia, a Europa ganharia um dispositivo jurídico para expulsar migrantes que chegassem a seu território por essa rota. Como escreve Le Monde, bastaria incluir a Turquia na lista dos "países seguros", prevista pela Convenção de Dublin. As pessoas orginárias destes Estados chamados "seguros" não teriam direito a pedir asilo político. Como a Turquia é a principal rota de chegada dos sírios e curdos à Europa, o continente poderia rejeitar a maioria.

Só que, justamente de olho nos curdos, Ankara fez uma contraproposta: construir três cidades em uma "zona de segurança", na fronteira entre Turquia e Síria, em que esses migrantes seriam alojados. Assim, Erdogan mataria dois coelhos com uma cajadada só, já que uma zona turca militarizada entre Azaz e Jarablus bloquearia o avanço das forças curdas, que levam a luta contra o grupo Estado Islâmico mais a oeste, em direção ao norte de Aleppo. Com a presença russa na região, Le Monde estima que estão enterradas as possibilidades dessa zona de segurança.
 

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