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Candidatura de Platini à presidência da Fifa está morta, dizem Libération e Le Monde

O presidente da Uefa, Michel Platini, foi suspenso por 90 dias de qualquer atividade ligada ao futebol.
O presidente da Uefa, Michel Platini, foi suspenso por 90 dias de qualquer atividade ligada ao futebol. REUTERS/Olivier Pon/Files

A suspensão de 90 dias do presidente da Uefa, o francês Michel Platini, anunciada ontem pela Comissão de Ética da Fifa, é manchete em todos os jornais franceses nesta sexta-feira (9). Libération publica um texto sob o título "Fifa: veja como Platini foi enganado". Le Monde prefere a ironia, com a manchete "Os melhores inimigos", afirmando que o "invencível" presidente da Fifa arrastou com ele em sua queda o ex-afilhado, que tinha se tornado um rival e queria sucedê-lo no trono.

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A candidatura de Platini à presidência da Fifa está morta, afirma Libération. O jornal argumenta que mesmo se Platini apresentar um recurso contra a suspensão, "o prazo máximo para a entrega dos dossiês de candidatura é 26 de outubro e o recurso não teria efeito suspensivo".

Libération relata de que maneira Blatter comandou a queda de Platini e "levou o francês com maestria para o abatedouro". Segundo o jornal, foi o próprio Blatter que colocou a polícia suíça na pista dos 2 milhões de francos suíços (1,8 milhão de euros) pagos pela Fifa a Platini, em 2011. O pagamento, considerado indevido, está na origem da ação penal aberta contra Blatter.

'Mortes por encomenda'

Sobre a Comissão de Ética, Libération explica que o órgão sempre foi controlado por Blatter e seus membros agem "como justiceiros", pagos para eliminar adversários a pedido do chefe. O diário vai ainda mais longe: Blatter manobra de maneira tão inteligente para inviabilizar as candidaturas à sua sucessão, cortando a cabeça dos rivais um a um, que a eleição para o novo presidente da entidade, marcada para o dia 26 de fevereiro de 2016, pode ser inviabilizada.

Essa tese da sabotagem da eleição foi evocada na quarta-feira (7) pelo sul-coreano Chung Mong-joon, outro candidato à sucessão de Blatter. Ele ameaçou levar Blatter à justiça por desvios. No dia seguinte, a Comissão de Ética suspendeu o sul-coreano por 6 anos, nota o Libération.

Depois de ouvir dirigentes na Fifa, Le Monde considera que Platini está "politicamente morto" na entidade. No plano internacional, ele também está cada vez mais isolado, observa o vespertino, destacando a declaração do presidente do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach, que afirmou que "a Fifa precisa de um presidente que venha de fora, confiável e de integridade comprovada".

Platini levou cartão vermelho

Le Figaro considera que o ex-jogador, um herói da seleção francesa, está sendo "aspirado" pelo escândalo de corrupção na Fifa. "Platini paga o preço de suas relações de amor e ódio com seu antigo mentor", escreve o jornal. Le Figaro afirma ainda que embora Platini clame por sua inocência, será difícil sustentar uma defesa se ele não apresentar documentos juridicamente válidos para justificar o pagamento de 2 milhões de francos suíços que levaram à suspensão.

Aujourd'hui en France coloca uma imagem de Platini de cabeça baixa na capa, com as mãos nos bolsos, levando um cartão vermelho de um juiz. A imagem é forte. "A queda de Platini foi vertiginosa. Até ontem, ele ainda era o favorito para substituir Blatter. Em poucas horas, ele foi parar na beira do abismo", escreve Aujourd'hui en France.

O diário popular lembra que Platini poderá contar com o apoio de muitos amigos, entre eles o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, e quase todos os dirigentes de futebol da França. Todos dizem que Platini caiu numa armadilha, afirma o editorialista do jornal. Mas ele argumenta que os fãs de Platini esquecem de dar uma resposta à principal questão no caso: os 2 milhões que ele recebeu são de propina ou mesmo por serviços prestados?

"Na pior das hipóteses, o presidente da Uefa cometeu o pecado capital da cobiça e na melhor, foi ingênuo", sentencia Aujourd'hui en France. Qualquer que seja a resposta, ele não é mais o dirigente exemplar que o futebol mundial tanto necessita, conclui o diário.

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