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Insultos sexistas visando mulheres em cargos políticos na Itália aumentaram

O senado italiano.
O senado italiano. Foto; Reuters

O jornal Aujourd'hui en France dedicou uma de suas reportagens na edição deste sábado (17) para denunciar a revolta das representantes políticas italianas contra os insultos machistas, que se tornaram mais frequentes no país.

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"O machismo não desapareceu no país com o fim da era Berlusconi, afirma o jornal", em referência ao ex-primeiro-ministro, conhecido por declarações infelizes e atitudes preconceituosas contra as mulheres.

Nos últimos dois anos, as mulheres que exercem cargos públicos nunca foram tão insultadas, revela o diário. A participação delas no governo do premiê Matteo Renzi é de 31%, acima dos 21% do governo anterior. No entanto, esse aumento, interpretado inicialmente como um avanço, não foi acompanhado de uma mudança no comportamento de muitos homens públicos sobre a presença feminina no cenário político.

O caso mais recente, lembra Aujourd'hui en France, envolve dois senadores que foram punidos com cinco dias de suspensão por terem simulado gestos obscenos e apontado seus órgãos genitais a duas senadoras durante um debate na Câmara Alta do parlamento italiano.

A presidente do Congresso, Laura Boldrini, estimou que a sanção foi muito leve. Ela exige uma mudança no código de conduta que eleve para 40 dias a suspensão de políticos em caso de manifestações sexistas. Boldrini diz sofrer ameaças de morte e exibe em seu escritório montagens de fotografias que a mostram sendo estuprada.

Imagens obscenas

Segundo Aujourd'hui en France, desde sua nominação, a ministra das Reformas Constitucionais, Maria Elena Boschi, de 34 anos, tem sido vítima permanente de imagens obscenas. Um exemplo é uma montagem de fotos com a ministra mostrando sua calcinha durante o dia da posse no cargo.

O problema, escreve Aujourd'hui en France, é que esse tipo de insulto raramente é acompanhado de um pedido de desculpas ou de mea culpa.

No caso dos dois senadores que fizeram gestos obscenos, um deles ameaça entrar em greve de fome em protesto pela sua suspensão. Enquanto isso, as duas senadoras aguardam seu pedido de desculpas, lembra o diário francês.
 

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