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Meio Ambiente

Países em desenvolvimento estão descontentes com negociações climáticas

Áudio 04:06
Reunião preparatória  para a COP 21 acontece em Bonn, na Alemanha.
Reunião preparatória para a COP 21 acontece em Bonn, na Alemanha. @UNFCCC

Na reta final antes da Conferência do Clima de Paris (COP 21), os representantes dos 195 países da ONU correm contra o relógio para chegar a um projeto de acordo climático global. Os diplomatas e especialistas estão reunidos em Bonn, na Alemanha, para ajustar o documento que vai servir de base para as discussões na cúpula internacional, que começa em 30 de novembro, na capital francesa.

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Mais uma vez, a antiga oposição entre os países do norte e do sul se faz sentir. Os integrantes do chamado G77, que inclui as nações em desenvolvimento e emergentes, demonstram insatisfação com o texto apresentado pelos co-presidentes das negociações, um argelino e um americano.

No intuito de facilitar o diálogo, o documento passou de 90 para 20 páginas. Mas entre os cortes, saíram diversos pontos fundamentais para os países mais pobres. Alexandre Prado, do Instituto Arapyaú, acompanha as negociações em Bonn como representante da sociedade civil.

“O documento ficou bastante prejudicial porque retirou um princípio que rege essa tensão entre os ricos e os pobres, que é o de responsabilidades comuns porém diferenciadas. Além disso, para os países mais pobres, como Bangladesh, tem a questão dos recursos financeiros para compensar os danos que já estão acontecendo devido às mudanças climáticas, o chamado loss and damages, que foi muito negociado até agora e que, no texto base, consta em apenas duas linhas”, relata o ambientalista.

Bloqueio das negociações

O protesto dos países do sul foi tão intenso que bloqueou os diálogos no primeiro dia da reunião de Bonn. Novos apontamentos foram acrescentados e o texto atual tem cerca de 40 páginas.

Prado observa as negociações climáticas há sete anos e avalia que os diplomatas se concentram em detalhes demais – inclusive em aspectos que, na prática, se mostram irrelevantes para salvar o planeta.

“Olhando o andamento do processo nesse ano e relembrando os anos anteriores até Copenhague, que é o grande trauma de todo mundo, está melhor. Na Conferência de Copenhague, chegamos no primeiro dia com um texto de quase 200 páginas”, afirma Prado. “A questão agora é onde vai dar para chegar: como restam só dois dias, e depois todos só voltam a se encontrar em Paris, com os presidentes e ministros, sobra muito pouco tempo para se chegar a um consenso sobre um documento conciso, que seja bom para todo mundo.”

Propostas são insuficientes para conter aquecimento global

Até agora, 154 países já mandaram suas propostas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa a longo prazo. Mas os especialistas advertem que, com o que está mesa até agora, não será possível limitar o aumento de 2°C na temperatura do planeta, em relação aos valores de 1750. Este é o maior objetivo da COP 21 e, por enquanto, ainda está distante.

A esperança é de que, se o esforço em Paris não for suficiente, o acordo climático preveja maneiras de reforçar periodicamente os compromissos assumidos pelos países. O Brasil promete reduzir 37% das emissões até 2025, uma meta saudada pelas organizações ambientais. Prado considera que o país ainda poderia ir além, promovendo mudanças que insiram a perspectiva de baixo carbono em toda a economia.

“Eu acho que o Brasil ainda fica um pouco sentado no berço esplêndido, porque fez muita coisa. Mas a convenção climática e a realidade do mundo daqui a 30 ou 40 anos nos coloca diante de um monte de oportunidades”, ressalta o representante da ONG. “O Brasil tem a maior floresta tropical e a maior biodiversidade do mundo, elementos que serão cada vez mais valorizados, num planeta onde isso está cada vez mais escasso. Eu acho que temos grandes oportunidades, que usamos muito pouco.”

 

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