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Esportes/Doping

Escândalo de doping no atletismo pode tirar Rússia das Olimpíadas de 2016

Sede da Federação Internacional de Atletismo, em Mônaco.
Sede da Federação Internacional de Atletismo, em Mônaco. REUTERS/Eric Gaillard

Tem forte repercussão mundial o relatório de mais de 300 páginas divulgado nessa segunda-feira (9) pela Agência Mundial Antidoping (WADA), acusando a Rússia de ter montado um esquema de doping sem precedentes no atletismo, com o envolvimento do governo, de médicos, atletas e treinadores. Se não tomar medidas rapidamente, a Rússia pode ser suspensa dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

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O relatório, apresentado pelo presidente da WADA, Richard W. Pound, identifica casos de corrupção no mais alto escalão do atletismo internacional. A agência pediu o banimento do esporte de cinco atletas russas e deu até o final da semana para a federação russa responder às acusações.

É nessa resposta que toda a imprensa russa se concentra na manhã desta terça-feira (10). Os jornais do país estimam que se as autoridades russas souberem responder de forma inteligente e rápida às acusações, o problema estará resolvido.

Para a imprensa russa, o objetivo da Agência Mundial Antidoping não é de punir o esporte do país, mas de fazer uma advertência simbólica. Porque, afinal, para os jornais russos, todo mundo se dopa, mas só a Rússia é acusada. Eles dizem que o doping é um problema mundial, mas os países ocidentais, onde, segundo a imprensa russa, a indústria do doping é mais desenvolvida, conseguem esconder essas infrações mais facilmente.

Os jornais russos estimam hoje que se as autoridades russas souberem responder de forma inteligente e rápida às acusações, o problema estará resolvido. Para a imprensa russa, o objetivo da Agência Mundial Antidoping não é de punir o país com a suspensão dos Jogos no Rio, mas de fazer uma advertência simbólica.

Em Moscou, o doping é visto como um problema mundial e os países ocidentais só escapam de sanções porque conseguem esconder facilmente as infrações.

Rússia promete se adequar às recomendações

Todos diários publicam também a reação do ministro russo dos esportes, Vitali Moutko, que declarou ontem que a Rússia vai analisar o relatório da agência e que o país seguirá as recomendações da instituição. Moutko também disse que a Rússia já faz muito para lutar contra o doping e ressalta que, curiosamente, há seis meses o laboratório anti doping russo era elogiado pelas instâncias internacionais.

Todo esse escândalo teve origem nas revelações do jornal esportivo francês L'Equipe e do canal de TV alemão ARD em dezembro de 2014 e foi reforçado em agosto de 2015 com alertas de atletas russos que dizem terem sido dopados. Com isso, a Agência Mundial Antidoping começou a investigar o caso.

Richard W. Pound, presidente da Wada, durante uma conferência de imprensa, em Genebra, em  9 de novembro de 2015.
Richard W. Pound, presidente da Wada, durante uma conferência de imprensa, em Genebra, em 9 de novembro de 2015. REUTERS/Denis Balibouse

Justiça da França no caso

Em paralelo, a justiça francesa também se lançou nas investigações, sobretudo do senegalês Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional do Atletismo, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

No relatório divulgado ontem, a agência declara que o laboratório antidoping de Moscou e a Federação Internacional de Atletismo estavam a par do grande esquema de doping dentro do atletismo russo. Todas provas foram fornecidas à Interpol, que vai coordenar uma investigação mundial pilotada pela França.

As instâncias esportivas internacionais passam por uma devassa anticorrupção. Na Alemanha, o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Wolfgang Niersbach, renunciou ao cargo nessa segunda-feira em meio ao escândalo de suspeitas de corrupção na escolha do país para sediar a Copa do Mundo de 2006. Niersbach disse não ter feito nada errado, mas a justiça alemã investiga um suborno de 6,5 milhões de euros pagos pela federação alemã à Fifa para receber o Mundial.
 

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