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Linha Direta

Europeus vão pressionar líderes africanos a conter imigração ilegal

Áudio 06:02
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, (0 esq.) é recebido pelo premiê de Malta, Joseph Muscat, em La Valette, em 10/11/15.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, (0 esq.) é recebido pelo premiê de Malta, Joseph Muscat, em La Valette, em 10/11/15. REUTERS/Darrin Zammit Lupi

Nos últimos meses, um número sem precedentes de refugiados tem entrado na União Europeia. Estes refugiados estão fugindo de guerras, da instabilidade política e econômica, de violações dos direitos humanos e da miséria. Para debater a questão e pressionar as autoridades africanas a combater a imigração clandestina, chefes de Estado e governo do bloco europeu se reúnem nesta quarta e quinta-feira com dirigentes da África na capital de Malta, La Valetta.

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Letícia Fonseca, correspondente em Bruxelas,

Há cinco pontos fundamentais nas discussões de La Valetta. Os dirigentes vão tentar encontrar soluções para as causas da crise migratória e discutir como resgatar os processos de paz, estabilidade e desenvolvimento econômico em algumas nações africanas.

Eles também pretendem intensificar os trabalhos que visam organizar as vias de imigração legal e reforçar a proteção dos refugiados, principalmente os grupos mais vulneráveis. A agenda da reunião ainda inclui a discussão de métodos que possam diminuir a exploração dos refugiados e de reforços na cooperação entre os países sobre a volta e a readmissão dos imigrantes ilegais.

Em La Valetta estarão reunidos 35 Estados africanos, os 28 da UE, além de representantes da ONU, União Africana, Cedeao (Comunidade Econômica dos Estados do Oeste da África), OIM (Organização Internacional para as Migrações) e a Frontex - Agência de Controle das Fronteiras Europeias.

Divisão de custos e responsabilidades

A Alemanha prevê que 1.100 milhão vão pedir asilo ao governo alemão este ano. Segundo o Instituto Ifo, baseado em Munique, o país deve gastar € 21 bilhões este ano para dar moradia, alimentar e dar escolas a milhares de refugiados.

O valor é o dobro do que o governo alemão tinha previsto. Mas vale lembrar que o problema dos refugiados não afeta apenas a Europa. Afeta também e muito, os países de origem dos refugiados ou onde há trânsito de fluxo migratório.

A Turquia, por exemplo, nos últimos anos recebeu mais de dois milhões de refugiados sírios. O que os dirigentes europeus pretendem em La Valetta é mostrar a necessidade de se partilhar a responsabilidade pelos refugiados.

Segundo Bruxelas, este fardo deve ser dividido pelos países de origem, trânsito e destino. Neste encontro, a Europa deve ainda fazer um balanço das medidas de segurança nas fronteiras externas do bloco e a partilha dos refugiados.

Depois de pressionar a Turquia, chegou a vez da África

A União Europeia quer a cooperação dos governos da África para que eles colaborem com o retorno de africanos que estão ilegalmente em solo europeu. Inclusive, esta reunião já estava programada desde o dramático naufrágio que matou 800 imigrantes, em abril passado no Mar Mediterrâneo.

Os sobreviventes eram de Mali, Gâmbia, Senegal, Somália e Eritreia, e fugiam de guerras, conflitos, ditaduras truculentas e miséria. A intenção de Bruxelas é fazer com que alguns países africanos readmitam em seus territórios seus imigrantes ilegais através de ajuda financeira e planos de reinserção.

A ideia não está sendo bem aceita na África, mas os governos que pretendem cooperar com Bruxelas vão exigir maior facilidade para o visto de entrada de seus cidadãos e a ampliação das estadias acadêmicas e profissionais no bloco europeu.

Investimentos

Existe um projeto de criação de um fundo para financiar projetos na África no valor de € 1,8 bilhão. Com esta ajuda europeia, Bruxelas quer que os governos africanos reforcem a luta contra os traficantes de imigrantes ilegais, promovam iniciativas que possam gerar empregos e fixar os africanos em seu continente, além de estimular o investimento principalmente nos meios rurais.

Mas, na opinião de alguns especialistas, este fundo não será para o combate da pobreza nos países mais vulneráveis. Mais uma vez, o dinheiro de Bruxelas será dirigido para inibir o fluxo de imigrantes em direção à Europa.

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