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Brasil/Crime ambiental

Risco de rompimento de terceira barragem leva a evacuação de área próxima a Mariana

Imagem aérea do distrito de Bento Rodrigues, destruído pela onda de lama.
Imagem aérea do distrito de Bento Rodrigues, destruído pela onda de lama. REUTERS/Ricardo Moraes

O temor de rompimento de uma terceira barragem de contenção de rejeitos da companhia Samarco - de propriedade em partes iguais da anglo-australiana BHP Billiton e da brasileira Vale - forçou uma nova evacuação de moradores nesta quarta-feira (11), pouco depois de os presidentes das gigantescas holdings examinarem o local destruído na quinta-feira passada.

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O rompimento da duas barragens da mineradora, contendo milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de mineração, provocou uma gigantesca avalanche que devastou o distrito de Bento Rodrigues, em Minas Gerais, deixando oito mortos, 20 desaparecidos e 631 desabrigados, segundo o último balanço do corpo de bombeiros. Uma terceira barragem está sendo reparada e, por razões de segurança, moradores foram retirados da área, informaram a mineradora brasileira e o governo de Minas Gerais.

Andrew Mackenzie, presidente da BHP; Murilo Ferreira, da Vale; e Ricardo Vescovi, da Samarco, visitaram as barragens que cederam e também a de Germano, que está em obras, todas construídas para receber rejeitos da extração do minério de ferro. Também se reuniram com autoridades locais e serviços de emergência de sua joint venture em um momento em que cresce a pressão para que as proprietárias da Samarco sejam responsabilizados criminalmente por esse que já é um dos maiores crimes ambientais da história do país.

Apoio ao algoz

"Fomos afetados pela devastação em Bento Rodrigues e arredores. Não podemos reconstruir as vidas das famílias que perderam seus entes queridos, mas redobramos nosso compromisso com a Samarco para apoiar seus esforços de resposta. Nossa prioridade neste momento é entender a amplitude das consequências da ruptura das barragens e como podemos oferecer apoio adicional", disseram Mackenzie e Ferreira em um comunicado conjunto após sua visita à área devastada.

Curiosamente, os dois se comprometeram em ajudar a Samarco a criar um fundo de emergência para trabalhos de reconstrução e para ajudar as famílias e as comunidades afetadas, que será implementado "o mais rapidamente possível", em coordenação com as autoridades. O valor ainda não foi definido. Os presidentes das mineradoras destacaram que especialistas em saúde, segurança, meio ambiente e geotecnia das duas empresas estão auxiliando a Samarco. Eles prometeram transferir os desabrigados de hotéis para casas ou apartamentos, como determina a procuradoria de Minas Gerais, e auxiliar na reconstrução do distrito no mesmo lugar ou em outro a definir.

Ferreira, no entanto, se isentou de parte da responsabilidade ao destacar que "a Samarco não é parte da Vale", mas "uma empresa independente, que tem uma governança própria". As atividades da Samarco em Minas Gerais foram suspensas e a empresa - a décima exportadora do Brasil - pôs em licença remunerada 85% de seus funcionários neste estado e no vizinho Espírito Santo. Só na unidade industrial de Germano, afetada pela tragédia, a Samarco emprega mais de 1.500 pessoas.

"Mais segurança"

Vescovi, que participou de uma coletiva de imprensa conjunta com Mackenzie e Ferreira, informou que foi necessário fazer reparos em uma das paredes da terceira barragem, a única que ficou de pé na unidade industrial de Germano, perto da cidade de Mariana. Após soterrar sob a lama tóxica o povoado de Bento Rodrigues, a massa com rejeitos de minério de ferro avançou 450 km até o estado do Espírito Santo e segue para o mar, através da bacia do Rio Doce, que banha 23 cidades, inundando comunidades em sua passagem, destruindo cultivos e matando peixes, tartarugas e outros animais.

O abastecimento de água em muitos municípios mineiros e capixabas foi suspenso e os especialistas consideram que os danos ambientais serão enormes. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que segundo a Presidência viajará nesta quinta-feira ao local da tragédia, informou que o governo estuda multar as empresas. "Se corresponde a aplicação de uma multa (...) a aplicaremos e seremos rígidos. Vai haver punição", afirmou a ministra em declarações à imprensa local. Ela também pediu para estudar um endurecimento da legislação e a fiscalização para evitar novos acidentes. Izabella e a presidente Dilma têm sido criticadas por não ter visitado ainda o local da tragédia.

O desastre fez desabar o preço das ações da BHP e da Vale na bolsa. As agências de classificação de risco Moody's e Fitch rebaixaram a nota da Samarco e expressaram inquietação sobre uma produção menor de minério de ferro após o acidente, assim como a possibilidade de que a companhia seja processada por danos civis e ambientais e receba multas elevadas. Analistas do Deustche Bank preveem que a Samarco "poderá ficar fechada durante anos e que o custo da limpeza poderá superar um bilhão de dólares".

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