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França/Terrorismo

Estado de emergência na França deve inibir ações terroristas no curto prazo

Policiais patrulham saída do metrô République, no centro de Paris
Policiais patrulham saída do metrô République, no centro de Paris AFP/Patrick Kovarik

Desde que foi decretado o estado de emergência na França, depois dos atentados de Paris, foram realizadas 1.233 batidas policiais, em que 165 pessoas foram detidas e 230 armas apreendidas, anunciou nesta terça-feira (24) o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve. Mais de 140 prisões provisórias foram decretadas. Para especialistas, o policiamento ostensivo inibe novas ações terroristas no curto prazo.

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Em entrevista à rádio France Inter, o ex-juiz antiterrorista francês Marc Trévidic estimou que os jihadistas radicais da França e da Bélgica poderão deixar de operar por alguns meses, até que a pressão das forças de segurança diminua um pouco. O especialista admite que qualquer ação agora teria grande impacto, dada a proximidade dos ataques de 13 de novembro. "Mas o mais provável é que eles não façam nada nos próximos cinco, seis meses, para avaliar a reação da França", avaliou.

Para Trévidic, "a ideia é a mesma de Bin Laden: eles esperam que ataquemos os muçulmanos, para que eles possam recrutar e radicalizar ainda mais facilmente. Esta estratégia foi determinada pela Al-Qaeda há muito tempo". Comentando sobre a mobilização excepcional da polícia, justiça e exército para investigar e desmantelar as redes conhecidas e proteger locais sensíveis, o magistrado ressaltou que não é possível viver para sempre assim e os jihadistas sabem disso.

"Os terroristas não são estúpidos, eles vão esperar até que a situação se acalme. Eles não atacam quando mais esperamos. Tentam ser surpreendentes ao máximo. Eu não tenho certeza de que durante a COP21 (que começa no próximo dia 30) isso poderia acontecer", afirmou. O estado de emergência prorrogado até ao final de fevereiro, permitiu que a polícia realizasse batidas contra pessoas e organizações suspeitas de ligações terroristas. Os alvos eram monitorados há anos, mas não havia provas suficientes para a abertura de processos.

Para um ex-analista dos serviços antiterroristas da inteligência francesa, entrevistado sob condição de anonimato pela AFP, o atentado "foi um grande pontapé no formigueiro". Ele também acredita que um ataque possa ser organizado no futuro próximo. "O mais provável é que os terroristas mergulhem mais fundo na clandestinidade e esperem. Há muitos policiais e soldados nas ruas, buscas e apreensões. Aqueles que ainda estão livres estão ocupados agora em não ser pegos", afirmou.

Guerra de nervos

Tanto o juiz quanto o ex-analista acreditam que o problema, neste momento, é que as redes jihadistas ditam suas agendas para as democracias ocidentais, que são forçadas a responder, muitas vezes com atraso. "Eles sempre estiveram, pelo menos por enquanto, no controle do tempo", lamenta o analista. "Nós não sabemos quando outros ataques vão acontecer, eles brincam com os nossos nervos", afirma Marc Trévidic. "Infelizmente, nos últimos anos, eles têm escolhido o momento, o lugar. O que é interessante com o que está acontecendo agora, é que vamos virar a maré, vamos escolher o tempo e o lugar, incluindo a guerra no terreno, na Síria e no Iraque", acredita.

Se as redes ou equipes já formadas de terroristas têm pouca capacidade de estabelecer um ataque de envergadura, não se pode descartar os chamados "lobos solitários". Nos últimos dias, multiplicaram-se na internet os apelos à ação terrorista individual, registrados em vídeo por jihadistas na Síria e no Iraque. "Nós não devemos excluir a ação de um único indivíduo, que pode se sentir acuado e atacar sozinho com sua AK-47", acrescenta o ex-analista. "Este não é o cenário mais provável, eu diria que há entre 15% e 20% de chances. O mais provável é que eles esperem que nos cansemos antes de começar outra ação", acredita. Um ataque deste tipo poderia gerar uma nova onda de pânico.

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