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Para jornais, França deve estimular muçulmanos a combater o islamismo radical

Capa do jornal francês Libération desta terça-feira, 24 de novembro de 2015.
Capa do jornal francês Libération desta terça-feira, 24 de novembro de 2015.

As reações aos atentados de Paris continuam rendendo manchetes aos jornais franceses. Nesta terça-feira (24), a imprensa investiga o crescimento do islamismo radical na França, as ações do governo para combater os ultrarradicais na Síria e até o impacto da violência extremista na crise migratória.

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Libération traz uma ampla reportagem para explicar as origens e a influência do islã salafista, que reivindicou os ataques de 13 de novembro. O jornal tem o cuidado de explicar que nem todo salafista é terrorista, mas é nessa ramificação do islã que os ultrarradicais encontram argumentos para justificar seus atos violentos.

O salafismo, lembra Libération, é uma corrente que prega uma leitura mais rigorosa do Alcorão, defende valores e um estilo de vida tradicionais e rejeita interpretações modernas. "É um ultra fundamentalismo religioso extremamente reacionário", afirma o texto.

Os salafistas combatem outras correntes da religião islâmica e até os muçulmanos considerados infiéis. As origens desse movimento estão na Arábia Saudita, sua principal fonte de financiamento. Mas o jornal afirma que o país do Golfo Pérsico não defende ações terroristas.

Mas ao ser confrontada com os valores ocidentais, como a igualdade homem-mulher, a corrente salafista se torna terreno fértil para a proliferação da vertente radical que usa métodos terroristas para impor seus ideais e objetivos.

Libération acredita que na França, o meio mais eficiente de combater o jihadismo é dentro da própria comunidade muçulmana. "É preciso encorajar os muçulmanos a lutar contra o islã radical", afirma o editorial do jornal.

Ofensivas militar e diplomática

A França assumiu a linha de frente no combate ao grupo Estado Islâmico, escreve Le Figaro. O navio de guerra Charles de Gaulle entrou em ação pela primeira vez contra os jihadistas na Síria e também no Iraque. Mas o governo socialista atua em todas as frentes, analisa o jornal ao se referir à maratona diplomática encampada pelo presidente François Hollande.

Nesta terça-feira (24), ele vai tentar incitar o americano Barack Obama a fazer uma aliança com o russo Vladimir Putin. O objetivo é coordenar os esforços para combater o inimigo comum, o grupo Estado Islâmico.

Na quinta-feira (26), em Moscou, Hollande tentará convencer o líder russo a não bombardear indiscriminadamente os opositores do presidente Bashar Al-Assad. "A luta contra a organização terrorista deve ser a mais ampla possível", defende Le Figaro.

Efeito colateral dessa guerra: a crise migratória

Les Echos afirma que a série de ataques de 13 de novembro aumentou o medo de que terroristas do grupo Estado Islâmico estejam infiltrados no grupo de migrantes que tentam chegar à Europa. Isso porque dois dos autores dos ataques passaram pela Grécia. E esse temor agravou a crise migratória, que já vinha se acentuando com a recusa de muitos países do leste europeu de impedir a entrada dos migrantes.

Os controles têm sido cada vez mais rígidos e muitos deles estão sendo impedidos de passar pelas fronteiras. Les Echos afirma que a Sérvia, a Macedônia e a Croácia decidiram na última quinta-feira restringir a passagem dos refugiados que fogem de guerras na Síria, Iraque e Afeganistão.

Os chamados migrantes econômicos, que saem do Paquistão, Irã ou Bangladesh para tentar uma vida melhor na Europa, estão sendo barrados nas fronteiras, criando ainda muita tensão e incidentes.

O jornal diz que a chegada do frio, que torna as condições de vida mais duras, deve diminuir, pelo menos temporariamente, o fluxo de migrantes.

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