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Reportagem

“Espero que o Brasil reveja sua posição sobre a Venezuela”, diz Mauricio Macri

Áudio 02:42
O recém-eleito presidente argentino Mauricio Macri.
O recém-eleito presidente argentino Mauricio Macri. REUTERS/Enrique Marcarian

O primeiro atrito na relação entre Brasil e Argentina, a partir da vitória de Mauricio Macri, não será comercial. Será diplomático, mais especificamente, sobre a Venezuela. Dois dias depois de ter sido eleito, em declarações à TV argentina, o novo presidente disse esperar que o governo brasileiro reveja a sua posição de não suspender a Venezuela do Mercosul.

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Márcio Resende, correspondente da RFI Brasil em Buenos Aires.

Macri quer aplicar a "cláusula democrática" do Mercosul que permite suspender o país membro onde a democracia não é plena. Durante a campanha, ele repetiu que procuraria aplicar a cláusula porque o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não respeita os diretos humanos, mantém presos políticos e ainda tem a participação de militares no governo.

O novo presidente argentino confirmou que vai levar o assunto à próxima Cúpula do Mercosul em Assunção no Paraguai, no dia 21 de dezembro, e espera que a presidente Dilma Rousseff reveja a sua postura de não aplicar a cláusula.

"Vou expor o assunto na próxima Cúpula do Mercosul, em Assunção, dentro de poucas semanas", confirmou Macri. "Espero que o Brasil reveja a sua posição porque as primeiras declarações que chegam do Brasil dizem que não há condições, quando, para mim, é mais do que evidente que, na Venezuela, não se respeita a liberdade de expressão, não se respeitam os opositores e há presos políticos injustificadamente há muitos meses", diferenciou-se. "O compromisso com os direitos humanos deve estar em todas as práticas na América latina", concluiu.

O governo brasileiro deu sinais de não querer nenhuma punição à Venezuela. Para o Brasil, na Venezuela há eleições democráticas e a permanência do país no Mercosul é um valioso mercado para bens e serviços brasileiros, além de um importante produtor de petróleo.

Já para o presidente eleito, Mauricio Macri, o silêncio do Mercosul sobre as violações aos Direitos Humanos na Venezuela beira a cumplicidade. Como as decisões dentro do bloco funcionam por unanimidade, basta o Brasil manter a sua posição para nada mudar.

Dilma no telefone

Na conversa telefônica que Dilma Rousseff e Mauricio Macri mantiveram na segunda-feira (23), a presidente brasileira convidou o colega argentino a Brasília antes da cerimônia de posse, no próximo dia 10 de dezembro. Ambos os presidentes tentam coordenar agora essa possível viagem antes da posse.
Mesmo que não seja antes, o Brasil será o primeiro destino internacional de Macri, e o assunto de suspensão da Venezuela estará sobre a mesa. Dilma Rousseff também estará na posse de Mauricio Macri dentro de duas semanas.

A questão sobre a Venezuela é considerada sensível pelo governo brasileiro, que tinha a esperança de ver Mauricio Macri amenizar o seu discurso de campanha depois de eleito. Mas Macri está decidido a pressionar a Venezuela através do Mercosul e pode ainda recorrer à Convenção Americana sobre Direitos Humanos do Pacto de São José da Costa Rica, assinado por todos os integrantes do Mercosul, inclusive a Venezuela.

Esse Pacto é ainda mais amplo no que se refere ao respeito aos Direitos Humanos. Não basta apenas ser eleito democraticamente. É preciso garantir uma série de direitos como a liberdade pessoal, a liberdade de pensamento e de expressão ou direitos políticos.

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