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RFI Convida

Duarte Júnior, prefeito de Mariana, MG

Áudio 06:59
O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, em Paris.
O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, em Paris. Gabriel Brust / RFI

O prefeito de cidade de Mariana, em Minas Gerais, Duarte Júnior, está em Paris para uma série de encontros com autoridades francesas e entidades ambientais. O objetivo é buscar apoio para a recuperação de Mariana, cidade que foi atingida pelo maior desastre ambiental brasileiro, o rompimento das barragens de rejeitos de mineração da empresa Samarco. Ele também pretende estudar como regiões europeias que foram dependentes da mineração no passado migraram para um novo modelo econômico.

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O desastre que deixou pelo menos 11 mortos na localidade de Bento Rodrigues, a 35km do centro de Mariana, levantou no município mineiro o debate sobre a necessidade de diversificar sua economia. Atualmente, a mineração responde por 80% da arrecadação da cidade. “Precisamos aprender com a Europa sobre o que já aconteceu aqui, para que, no futuro, estejamos preparados. Não dá para depender tanto da mineração como dependemos”, afirma Júnior.

O prefeito pretende pleitear na Unesco o título de patrimônio da humanidade para Mariana e também a construção de um memorial para Bento Rodrigues. “É uma história que só vai existir na nossa lembrança”, diz o prefeito.

O vazamento da lama tóxica causou a poluição quase total do Rio Doce, que atravessa Minas Gerais e Espírito Santo. Também transformou a boa imagem que a mineradora Samarco costumava ter entre os habitantes da cidade. “Ela sempre foi a empresa mais bem avaliada de Mariana, iniciou projetos de tratamento de água, nos ajudou na construção de escolas e, na crise de 2008, não demitiu ninguém”, conta Duarte Júnior. “Mas essa imagem se arranhou muito. Quando se fala de vidas, não se pode errar. Se tivesse ocorrido à noite, teríamos perdido 600 pessoas”.

Segundo o prefeito, a postura da empresa até aqui tem sido de diálogo com a prefeitura, que, segundo ele, vai tentar obter compensações na base da negociação. “No Brasil, se judicializar a causa pode levar 10 ou 15 anos para que as famílias serem indenizadas”, diz Duarte Júnior. Mas ele não tem dúvida de que houve falhas além do rompimento da barragem: “O plano de emergência não tinha um botão de pânico, que alertasse a população. A lama chegou sem ninguém esperar. É uma falha que não se pode permitir.”

Além da empresa, o prefeito culpa a fiscalização do governo federal, que teria apenas quatro agentes para garantir a segurança das barragens em todo o país – 700 delas, apenas no estado de Minas Gerais.

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