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COP 21/Clima

Líderes celebram e ONGs criticam acordo de Paris sobre o clima

O chanceler Laurent Fabius, presidente da COP21.
O chanceler Laurent Fabius, presidente da COP21. © Reuters

Após a celebração do acordo de Paris sobre o clima, anunciado no sábado pelo chanceler francês Laurent Fabius como" justo, equilibrado, ambicioso e legalmente vinculante", as reações eufóricas dos líderes mundiais contrastaram com muitas críticas de ONGs e militantes ecologistas sobre as lacunas do compromisso assumido pelos 195 países presentes na COP 21.

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O acordo, previsto para entrar em vigor em 2020, foi saudado pelos principais líderes mundiais. O Brasil, importante protagonista durante as negociações, sai "inteiramente satisfeito com o acordo", segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou o acordo histórico pelo Twitter, estimando que é a melhor oportunidade de salvar o planeta diante do aquecimento climático. "Hoje, o povo americano pode se sentir orgulhoso porque este acordo histórico é uma homenagem ao governo americano. Nos últimos sete anos, nós transformamos os Estados em um ator mundial na luta contra o aquecimento climático", escreveu o presidente americano.

Depois, afirmou: "O problema não foi resolvido", e prosseguindo considerando que o acordo de Paris "estabelece a base sustentável que o mundo precisa para resolver a crise climática".

Barack Obama estima que o acordo de Paris pode marcar uma mudanças na luta contra o aquecimento climático.
Barack Obama estima que o acordo de Paris pode marcar uma mudanças na luta contra o aquecimento climático. REUTERS/Yuri Gripas

"Justiça climática"

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, reagiu neste domingo (13) ao acordo e viu no documento a vitória da "justiça climática". "Não há ganhadores nem perdedores na conclusão do acordo de Paris. A justiça climática ganhou e vamos todos trabalhar para um futuro mais verde", escreveu em sua conta no Twitter.

"A mudança climática continua um desafio mas o acordo de Paris mostra como os países superaram esse desafio e trabalharam para encontrar uma solução", continuou.

Segundo país mais populoso do mundo, com 1,2 bilhão de habitantes, a Índia era um dos chamados "pesos pesados" nas negociações. Em nome da "justiça climática", o país exigiu que as nações mais desenvolvidas, como os Estados Unidos, assumissem um papel mais efetivo nos investimentos financeiros para ajudar muitos governos de países mais pobres a se adaptarem aos impactos das mudanças climáticas.

A Índia é o quarto maior poluidor do planeta, atrás da China, dos Estados Unidos e da União Europeia, com 6,5% das emissões de gases que provocam o efeito estufa.

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou o acordo “um sinal de esperança", mas ressaltou que ainda "resta muito trabalho a se realizar".

Críticas

Nem todos os representantes dos países presentes na COP21 puderam se expressar na tribuna da Conferência, antes do anúncio do acordo global. A Nicaragua se recusou a associar o nome do país ao "consenso" proclamado, estimando que o texto não protege de maneira explícita os países mais vulneráveis.

As críticas mais violentas, no entanto, vieram dos militantes e de muitas associações ecologistas. Muitas ONGs celebraram a aprovação de um acordo histórico que indica uma disposição clara de lutar contra os efeitos climáticos, mas várias delas expressaram reticências ao documento.

Em comunicado, o Observatório do Clima declarou: "Paris não salvou o mundo: o acordo foi inteiro construído sobre compromissos voluntários em corte de emissões e financiamento, que os países são apenas convidados a apresentar e que implementam conforme permitirem as circunstâncias. A meta de descarbonização até o meio do século e a data do pico de emissões foram perdidas, e não há indicação de compromissos de finanças no longo prazo. Tudo dependerá da manutenção do espírito de engajamento que tornou a COP21 possível".

Especialistas denunciam, por exemplo, que para atingir o objetivo de limitar em até 1,5°C o aumento do aquecimento do planeta é preciso parar de explorar os combustíveis fósseis, e o texto não diz como. Ongs também consideram tardia a revisão, em 2025, das emissões de poluentes anunciadas voluntariamente pelos países.

"A + 2°C, o clima será muito diferente do atual", lembra o especialista em clima Jean Jouzel. "Mais 2°C ou menos, é o objetivo a preservar se, no final do século, quisermos ter um mundo no qual podemos nos adaptar", insiste.

"Para atingir o objetivo é preciso deixar os combustíveis fósseis no subsolo, sem explorá-los", mas "ninguém diz como isso será feito", destaca o professor de química atmosférica da Universidade de Lancaster, Nick Hewitt. Segundo ele, "há muitos motivos para continuar cético".

 

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