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Linha Direta

Israel tem ano atribulado com crises diplomáticas e onda de violência

Áudio 04:56
Palestinos andam na frente da mesquita Al-Aqsa, em Jerusalem, antes da oração da sexta-feira.  23 de outubro 2015.
Palestinos andam na frente da mesquita Al-Aqsa, em Jerusalem, antes da oração da sexta-feira. 23 de outubro 2015. AFP PHOTO / AHMAD GHARABLI

O ano de 2015 foi agitado em Israel, que passou por eleições gerais que dividiram o país, crises diplomática com os Estados Unidos e o Brasil e uma onda de violência que dura até a véspera do Ano Novo.

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Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

O ano começou em Israel com ecos dos ataques terroristas em Paris que aconteceram em janeiro. Os olhos dos israelenses se voltaram para os atentados contra a revista satírica Charlie Hebdo e o supermercado judaico Hyper Casher.

Os quatro mortos no Hyper Casher, que eram judeus, foram enterrados em Jerusalém, com transmissão ao vivo do evento pelas TVs e rádios locais.

Além disso, o ano também começou com um confronto diplomático entre Israel e seu maior aliado no mundo: os Estados Unidos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o presidente americano Barack Obama de costurar um acordo com o Irã sem que ele impeça, na prática, que o país desenvolva armas nucleares.

A troca de farpas levou Netanyahu a fazer um discurso polêmico no Congresso americano, a revelia de Obama, contra o acordo com o Irã, em março. No final das contas, o acordo entre as potências mundiais e o Irã foi firmado e Netanyahu perdeu essa batalha.

O relacionamento entre ele e Obama só piorou, mesmo que, no final do ano, os dois líderes tenham se encontrado na Casa Branca numa reunião considerada pelo menos amigável.

Discurso no Congresso dos EUA

O discurso de Netanyahu no Congresso americano, em março, aconteceu duas semanas antes das eleições gerais em Israel, e isso foi bom para sua campanha eleitoral. Até então, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, era o favorito.

Netanyahu conseguiu dar a volta por cima, principalmente depois de, no dia do pleito, afirmar que a minoria árabe do país se preparava para “se deslocar em grande número para as urnas”.

A “ameaça” de uma votação em massa da minoria árabe foi encarada com temor pela direita do país, que reelegeu Netanyahu com grande margem, dando a seu partido, o Likud, a chance de formar um governo conservador com partidos de direita e extrema-direita.

As eleições também solidificaram a força política da minoria árabe de Israel, com 20% da população. A Lista Árabe Unida se tornou a terceira maior força política do país.

Morte de bebê

O ataque terrorista a uma casa na cidade palestina de Duma, na Cisjordânia, no último dia de julho, deu o tom do segundo semestre em Israel.

Criminosos lançaram bombas caseiras dentro da casa, matando três pessoas da família Dawabshe: um bebê e seus pais.
Só o irmão mais velho, de quatro anos, sobreviveu, mas continua internado com queimaduras por todo o o corpo.

Até hoje, a polícia israelense não descobriu a identidade dos criminosos, mas prendeu dezenas de jovens judeus religiosos que fazem parte de um grupo de anarquistas radicais que pretendem, atacando palestinos, cristãos e outras minorias, provocar caos na Terra Santa.

O ataque à família Dawabshe piorou o clima entre israelenses e palestinos em meio à falta de uma negociação de paz entre os dois lados.

Em setembro, um boato sobre uma suposta tentativa de Israel de tomar total controle da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, local sagrado para os muçulmanos e judeus, levou ao começo de uma revolta palestina.

Desde então, 25 israelenses foram mortos e 250 feridos em mais de 150 ataques de palestinos com facas, armas de fogo e atropelamentos.

Entre os palestinos, 120 morreram, 80 enquanto cometiam os ataques e 40 em confrontos violentos entre manifestantes palestinos e soldados israelenses.

Crise com o Brasil

Para fechar com “chave de ouro” um ano atribulado, há no momento um mal estar diplomático entre Israel e Brasil.

o governo brasileiro decidiu postergar indefinidamente, quer dizer, rejeitar, a nomeação do próximo embaixador israelense em Brasília, o argentino naturalizado brasileiro Dani Dayan.

Brasília não vê com bons olhos que Dayan, um ex-líder de colonos israelenses em territórios palestinos, seja o próximo embaixador.

O mal-estar diplomático, que pode se tornar uma crise, é mais um evento complicado numa região que não conseguiu desatar seus nós em 2015.

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