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Milhares protestam em Roma contra projeto de união homossexual e adoção

Milhares de italianos manifestam contra projeto de união civil homossexual e adoção, em Roma, neste sábado, 30 de janeiro de 2016.
Milhares de italianos manifestam contra projeto de união civil homossexual e adoção, em Roma, neste sábado, 30 de janeiro de 2016. REUTERS/Remo Casilli

Cerca de 500 mil pessoas se reuniram neste sábado (30), na capital italiana, para protestar contra o projeto de lei que regulamenta a união civil e a adoção por casais do mesmo sexo, que vai começar a ser analisado na terça-feira (2) pelo Parlamento.  

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O "Circus Maximus", antigo estádio romano situado no coração da capital italiana, transformou-se hoje em plataforma anti-gay, recebendo meio milhão de manifestantes contra a união civil de  pessoas do mesmo sexo, assim como o direito à adoção. Italianos vieram de todas as regiões do país, de ônibus, trem e em caravanas, para expressar sua indignação.

Por que o texto fez tantos italianos protestarem nas ruas?

O projeto de lei Cirinna, nome de sua autora, a senadora do partido Democrata, Monica Cirinna, prevê instaurar uma união registrada em cartório entre pessoas do mesmo sexo, que se comprometem a ter uma vida comum fiel e a dar assistência moral e material recíproca. O texto também prevê a possibilidade de pagamento de pensão alimentar e adoção de crianças do ou da parceira: é essa parte que levanta grande polêmica.

Apresentado na semana passada no Parlamento, o texto deve ser votado em fevereiro, mas a pressão é tão forte que um recuo não está descartado, como já ocorreu no passado. "Exigimos que o projeto seja retirado, nem mais nem menos", declarou um dos organizadores, Simone Pillon, que critica especialmente a cláusula que permite a adoção por uma pessoa homossexual, do filho legítimo do seu ou da sua parceira. "Não podemos aceitar que as crianças paguem o preço dos caprichos dos adultos. As crianças precisam de um pai e de uma mãe", afirma Pillon.

O megaprotesto de hoje acontece depois da série de manifestações realizadas na semana passada em apoio ao texto, que envolve igualmente os casais heterossexuais. A Corte Europeia já condenou a Itália  por ser o único país da Europa ocidental a não permitir esse tipo de união.

Premiê Matteo Renzi pressionado por sua própria coalizão

O primeiro-ministro Matteo Renzi prometeu que a lei será adotada antes do fim deste ano, mas não esperava enfrentar uma resistência tão forte dentro de sua própria coalizão governamental. A própria maioria centro-esquerda de Renzi, que defende o projeto, está dividida. Diversos membros do governo, entre eles, o ministro do Interior, Angelino Alfano, do partido Novo Centro-Direita, formação minoritária da coalizão, também participaram da manifestação deste sábado.

Na semana passada, o Papa Francisco lembrou à população a visão da Igreja Católica sobre a questão: "A família tradicional é a família que Deus deseja", ele disse.

As pesquisas mais recentes realizadas Itália indicam que 70% pensam que os casais do mesmo sexo devem beneficiar de uma proteção legal, especialmente no que diz respeito a heranças. Desse total, somente 24% aprovam a adoção por casais homossexuais.

Os defensores do texto já organizaram manifestações em 90 praças, na semana passada, a fim de pedir que os italianos "despertem para as mudanças da sociedade".

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