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Zika

Peixes, frutas, vegetais e mosquitos são armas contra Zika na AL

Bióloga colombiana Palmira Ventosilla, inventora do kit de inseticida natural.
Bióloga colombiana Palmira Ventosilla, inventora do kit de inseticida natural. Universidade Cayetano Heredia

Peixes que devoram larvas, inseticidas de frutas e legumes, mosquitos transgênicos e até sapos: a população da América Latina vem recorrendo a diversas alternativas da natureza, inclusive modificadas, para tentar exterminar o Aedes aegypti, inseto transmissor do vírus Zika.

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Na praia de San Diego, na costa pacífica de El Salvador, a experiência com os peixes zambos começou em 2012. Em seguida, estendeu-se a mais vinte vilarejos.

Zambos, os peixes que devoram as larvas do Aedes aegypti

Os zambos (nome científico Dormitator latifrons) comem todas as larvas nos recipientes com água parada e vêm sendo utilizados pelos pescadores locais para controlar biologicamente o mosquito. "Todo mundo colabora, os jovens me ajudam a pescar os zambos no estuário para que se reproduzam; os adultos vigiam os poços de  água nas casas", explica Marielos Sosa, encarregado do projeto.

Através deste método, El Salvador combate o mosquito no estado de larva, enquanto que outros países afetados pela epidemia recorrem à aplicação de inseticidas. Um método limitado, segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPS): "A aplicação de inseticidas pode ser eficiente para reduzir os insetos adultos, mas não contra as larvas", admite Carissa Etiene, diretora da organização.

Larvicidas naturais no Peru

A explosão da epidemia de Zika no continente latino-americano provocou uma readaptação de técnicas antigas usadas no combate à dengue.

No Peru, a bióloga Palmira Ventosilla, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade Cayetano Heredia, criou em 1992 um inseticida natural à base de côco, mandioca, aspargos e batata, que destrói as larvas do Aedes aegypti e de outros insetos vetores de doenças; para se reproduzir, a bactéria que mata as larvas precisa de glucídios, cloreto de magnésio, cálcio, sódio e sacarose, elementos contidos no produtol. As larvas morrem cerca de dez minutos depois da aplicação.

Aprovada pela Organização Mundial de Saúde, a iniciativa já foi empregada com sucesso na Guiana, em Honduras, Peru e em breve chegará a Uganda e Moçambique.

Ao contrário dos produtos químicos, que custam caro, os larvicidas são baratos, não são tóxicos e podem ser aplicados pela própria população sem causar efeitos secundários. Os kits podem comprados por US$1.

Mosquitos transgênicos, eficientes mas polêmicos

Na Colômbia foram lançados programas de combate ao vírus através da liberação ao ar livre de mosquitos geneticamente modificados, portadores da bactéria Wolbachia. Presente em mais de 70% dos insetos, ela age como uma vacina e impede que o Zika se desenvolva no organismo do mosquito.

Brasil e Panamá seguiram o mesmo caminho com mosquitos machos geneticamente modificados que, ao se acasalar, produzem insetos incapazes de chegar à idade adulta e, por consequência, se reproduzir.

Há bastante polêmica em torno dos insetos transgênicos: se por um lado podem ajudar no combate às doenças, por outro podem causar um desequilíbrio no ecossistema, como temem diversos biólogos e ambientalistas.

No México, a Agência Internacional de Energia Atômica vai mais longe: está pesquisando formas de usar a radiação para  esterilizar os mosquitos.

Na Argentina, mais perto dos costumes populares do que das ciências, a população vem tentando adquirir sapos e rãs, tradicionais destruidores de insetos.

 

 

 

 

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