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Imprensa

Jornal diz que igualdade de gêneros no governo francês é feita com "mulheres pretexto"

Capa do jornal francês Aujourd'hui en France desta sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016.
Capa do jornal francês Aujourd'hui en France desta sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016.

O principal assunto da imprensa e de toda a mídia francesa nesta sexta-feira (12) não poderia ser outro: a reforma ministerial do governo do presidente François Hollande, uma mudança a apenas 14 meses das próximas eleições. Os nomes dos novos ministros foram anunciados na noite de quinta-feira (11), destacando a igualdade de gêneros: 38 pastas divididas entre 19 mulheres e 19 homens. Mas o jornal Aujourd'hui en France ressalta que nenhuma francesa foi escolhida para ocupar os ministérios mais importantes.

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"Senhor Reforma", ironiza a manchete de capa do diário. O Aujourd'hui en France escreve que Hollande pegou sua caixa de ferramentas, colocou seu uniforme de chefe do Partido Socialista para tentar construir sua aclamada "equipe de combate" e manter a esquerda no poder em 2017.

Mas, segundo o jornal, nada está ganho. "Um ex-primeiro-ministro de volta, ecologistas fracassados e 'mulheres pretexto'", escreve sobre as principais mudanças do governo: a volta do ex-primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault para o ministério das Relações Exteriores, a reconciliação com os Verdes e a igualdade de gêneros nos ministérios.

Teoricamente, Hollande dividiu as 38 pastas entre 19 mulheres e 19 homens, diz o Aujourd'hui en France. Mas as principais pastas - Interior, Defesa, Relações Exteriores e Justiça -, foram repassadas aos homens. O jornal avalia que às mulheres foram destinadas "tarefas de mamãe": saúde, meio-ambiente, família, moradia...

"Bem-vindos ao Titanic"

Os outros principais jornais franceses também não poupam críticas à nova equipe de ministros escolhida e são céticos que ela possa promover as mudanças anunciadas pelo chefe de Estado. "Bem vindos ao Titanic", diz o editorial do Figaro sobre a reforma do governo Hollande. "O Titanic governamental vai continuar afundando até o final dos cinco anos de governo", ironiza, finalizando: "o mais impressionante é que o chefe de Estado ainda conseguiu voluntários para embarcar nesse navio".

O diário conservador também desdenha a volta de Ayrault para ocupar a pasta das Relações Exteriores, depois "de uma experiência calamitosa" como chefe de governo. Já sobre a volta dos ecologistas, o jornal diz que Hollande escolheu três representantes "fáceis de lidar" do Partido Verde. O presidente deveria ter se esforçado mais, avalia o editorialista Paul-Henri du Limbert.

"Mudar para que nada mude", diz a manchete da principal matéria do Libération. A pouco mais de um ano das eleições, esperava-se, finalmente, um governo de esquerda, critica o jornal. Entretanto, mais uma vez, o presidente ficou "em cima do muro". "Nenhuma verdadeira personalidade de esquerda faz parte desse governo", reclama o Libé.

Para o diário progressista, Hollande precisava arejar sua política, mas ao contrário, o presidente agora corre o risco de ser "asfixiado por suas escolhas".

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