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Mobilização contra a reforma trabalhista é teste para governo Hollande

Myriam El Khomri, ministra do Trabalho, na chegada à sede do Partido Socialista francês, em 7 de março.
Myriam El Khomri, ministra do Trabalho, na chegada à sede do Partido Socialista francês, em 7 de março. AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET

As manifestações previstas nesta quarta-feira (9) por toda a França contra a reforma da legislação trabalhista são o primeiro grande teste das “ruas” para as propostas anunciadas pelo governo do presidente François Hollande, de acordo com os jornais franceses.

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Libération lembra que o presidente socialista fez da juventude a prioridade de seu mandato, mas esses jovens vão às ruas protestar contras mudanças da lei que rege as relações entre empresas e empregados. A juventude francesa teme pelo seu futuro, pela multiplicação do trabalho precário e pela maior facilidade das empresas de demitir seus empregados, diz o texto.

Libération afirma que a Jornada de Mobilização é apenas um "aperitivo" do que pode vir a se tornar o descontentamento crescente dos estudantes, mas também das centrais sindicais e de várias categorias de trabalhadores com as mudanças propostas pelo governo. Outros protestos podem surgir se o governo não rever a chamada Lei Khomri, que leva o nome da Ministra do Trabalho, Myriam El Khomri.

Por azar ou sorte do calendário, diz a reportagem, os protestos coincidem com a paralisação já anunciada anteriormente pelos trabalhadores da rede pública de transportes, o que deve aumentar a mobilização social. São mais de 140 manifestações confirmadas por toda a França.

O jornal diz que o governo está preocupado particularmente com uma reedição dos protestos gigantescos de 2006, quando a juventude foi às ruas para combater o projeto de lei do Primeiro Emprego. Na época, os jovens se mobilizaram durante vários dias e o governo teve que engavetar a proposta.

Em editorial, Libération diz que a reforma trabalhista não visa especificamente os jovens, mas caso a mobilização cresça, pode ser um sinal maior, de descontentamento global com a ação do socialista François Hollande.

Governo em alerta para mobilização

Le Figaro diz que o governo acompanha atentamente a mobilização social de hoje e, se for maior do que previsto, Hollande poderá fazer concessões para não aumentar a ira dos sindicatos, das organizações estudantis e de uma parte do próprio Partido Socialista.

O governo tenta convencer os jovens de que o atual sistema favorece o desemprego, atualmente entre 20 e 25%, em relação à população com menos de 26 anos de idade. A reforma é do interesse deles, insiste o governo socialista.

O jornal conservador, no entanto, traz um alerta sobre os riscos de a França não levar adiante esta reforma, tão aguardada pelos empresários e sindicatos patronais. As pequenas e médias empresas seriam as mais afetadas. Atualmente, elas não contratam por medo de serem levadas à justiça quando demitem sem justa causa. A reforma limitaria a indenização aos trabalhadores, o que poderia estimular novas contratações, estima Le Figaro.

Dia atípico

Para o diário econômico Les Echos, a batalha contra o texto da reforma, que até então era virtual, pelas redes sociais, agora vai às ruas. O dia hoje será atípico, anuncia o jornal explicando que a mobilização contra o projeto de lei coincide com protestos de outras categorias.

Só em Paris, nada menos que três locais estão com manifestações previstas. A maior preocupação do governo é com relação aos estudantes secundaristas e menos com os universitários, já que a mobilização nas universidades seria restrita a um círculo militante, na avaliação do governo.

Le Parisien traz a entrevista de uma jovem estudante de Direito da Universidade Sorbonne, Clementine, de 21 anos. Apartidária, ela diz temer pelo seu futuro e ter de morar na casa dos pais por muitos anos ainda. Depois de estudar os principais pontos da reforma trabalhista, ela decidiu não sair às ruas para protestar. "Prefiro ter um trabalho precário do que desempregada", disse ela ao Le Parisien.
 

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