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A Semana na Imprensa

Será que a Dinamarca encontrou solução para ser feliz no trabalho?

Áudio 02:56
As empresas dinamarquesas tentam adotar o modelo de felicidade no trabalho em suas filiais na França.
As empresas dinamarquesas tentam adotar o modelo de felicidade no trabalho em suas filiais na França. Reprodução / Les Echos

A revista semanal do jornal econômico francês Les Echos traz uma reportagem sobre o mundo do trabalho na Dinamarca. A publicação mostra como o país escandinavo conseguiu impor um modelo de bem-estar no emprego que já vem sendo copiado na França.  

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A reportagem começa lembrando que segundo o relatório mundial sobre a felicidade (World Happiness Report), divulgado este ano, os dinamarqueses seriam o povo mais feliz do planeta. Boa parte desse bem estar poderia ser associado à relação que a população do país mantém com a vida profissional, já que de acordo com o relatório StepStone, datando de 2012, pelo menos 62% dos dinamarqueses se dizem felizes no trabalho, enquanto no resto da Europa esse índice não ultrapassa 57% dos entrevistados.

Um dos segredos, segundo François Zimeray, embaixador da França na Dinamarca, ouvido pela reportagem, seria a gestão do pessoal, que na Dinamarca nunca adota métodos da chamada hierarquia vertical. Para ele, a ideia de ter que validar uma decisão profissional junto aos seus chefes é vista de forma negativa no país escandinavo, pois os gestores preferem as "discussões de igual para igual". Alguns diretores entrevistados pela revista dão exemplos concretos, como a abolição de fórmulas de tratamento, como "senhor e senhora" ao falar com seus superiores hierárquicos.

O uso de salas de reunião transparentes, separadas apenas por paredes de vidro, que dão visibilidade a tudo o que acontece também faz parte dos métodos comuns nas empresas do país. Outro dirigente ressalta que aboliu a sala fechada e os armários etiquetados com seu nome, "o que traduz o lado acessível do gestor", comenta.

A maneira como o funcionário é visto por sua hierarquia contribuiria para esse bem-estar dos dinamarqueses no trabalho, ressalta a reportagem da revista dos Les Echos. De acordo com Malene Rydahl, autora do livro Feliz como um dinamarquês, "um empregado que se sente valorizado pelo que é encontra um equilíbrio entre sua vida profissional e pessoal". Ela vai além e insiste na importância de valores como confiança, liberdade para se exprimir e responsabilidade individual, vistos como essenciais.

Franceses são individualistas

Mesmo se as fórmulas empregadas pela autora podem parecer tiradas de um livro de autoajuda, o modelo escandinavo de felicidade no trabalho tem conquistado adeptos além de suas fronteiras. A França, onde mais de 400 firmas dinamarquesas possuem filiais, aparece como um bom laboratório para essa transformação das relações dos empregados com suas atividades profissionais. A reportagem aponta o exemplo da Oticon, especializada em próteses auditivas, que aboliu o sistema de cartão de ponto eletrônico. Para seu diretor, Jens Kofoed, "não é o tempo de trabalho que conta, e sim os resultados". Ele vai além e diz que "controlar é sinônimo de desconfiar e que se você trata o seus empregados como crianças, eles vão se comportar como tal".

Mas isso não quer dizer que o sistema dinamarquês se adote sem obstáculos. "Para que o modelo funcione, é preciso muita paixão e confiança em seu pessoal, senão é impossível transmitir os valores de base da autonomia e da hierarquia invertida" defendidos pelos escandinavos, comenta o diretor da Flying Tiger, uma marca de objetos design. Além disso, como ressalta a diretora da empresa Helena Rubinstein (grupo L'Oréal), "os franceses são muito individualistas e apegados a seu pequeno perímetro", o que nem sempre combina com o conceito de "arbedjdsglaede", palavra em dinamarquês que exprime a ideia de bem-estar no trabalho.

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