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MenEngage: “É impossível discutir emancipação da mulher na África sem falar da poligamia masculina”

Áudio 07:05
Júlio Langa é um dos organizadores do MenEngage África em Moçambique
Júlio Langa é um dos organizadores do MenEngage África em Moçambique RFI/Miguel Martins

O mundo foi sacudido nos últimos meses por uma série de manifestações sobre a igualdade de gênero, um fenômeno que ganhou força com o movimento #MeToo e ecoou em vários países. Mas como esse assunto reflete no continente africano? Esse é um dos inúmeros temas debatidos na 2ª edição do MenEngage África, simpósio que acontece em Moçambique entre os dias 23 e 27 de abril, e que tem como objetivo principal falar dos modelos de masculinidade.

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Além do assédio sexual, a distribuição das tarefas do lar, violência doméstica e homofobia são algumas das questões discutidas durante esses cinco dias em Maputo por pesquisadores, associações e outros representantes da sociedade civil. “Trata-se de um desafio global, mas no continente africano os estereótipos de masculinidade têm afetado muito fortemente a vida das pessoas, não apenas no dia-a-dia dos casais e das famílias, mas também no nível dos Estados africanos”, comenta Júlio Langa, coordenador nacional da rede HOPEM - Homens pela Mudança, um dos organizadores do evento. Segundo ele, até mesmo alguns responsáveis de instituições públicas “ainda têm uma concepção muito fechada do que deve ser um homem” na sociedade contemporânea.

Langa chama a atenção para o papel do Estado pois além dos aspectos que podem ser vistos como clichês quase universais, como saber quem é responsável pela limpeza da casa ou a educação dos filhos, os estereótipos de masculinidade exacerbada presentes na África podem ter um impacto negativo na saúde pública. Seja pela banalização da violência doméstica, pela transformação do sequestro e o estupro de mulheres e meninas em arma de guerra, ou ainda a resistência ao uso do preservativo masculino, que contribui para a propagação de doenças sexualmente transmissíveis na região.

Luta feminista liderada por homens

Além disso, vários países africanos autorizam, ou pelo menos toleram, a poligamia masculina. “Esse tema faz parte dos debates de alguns painéis. Não é possível a gente discutir igualdade de direitos, emancipação das mulheres, e transformação de masculinidade sem passarmos pela questão da poligamia”, conta Langa, ressaltando que o tema será tratado de forma transversal nos painéis do simpósio, sediado pela Universidade Eduardo Mondlane.

Ao contrário da maioria das manifestações pela igualdade de gêneros, que geralmente são organizadas ou encabeçadas por movimentos feministas, o simpósio MenEngage Africa tem o papel do homem na sociedade como elemento central. Mas para Langa, esse aspecto não foi um obstáculo ou fonte de polêmica. “Temos apoio das organizações feministas e alguns dos painéis que estão no programa do simpósio vão abordar a questão do feminismo”, comenta. “Apoiar a agenda feminista é uma de nossas prioridades”, finaliza.

Ouça a entrevista completa clicando na foto acima.

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