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Governo japonês tenta impedir celebração da sakura, a festa das cerejeiras, por causa do coronavírus

Moradores e turistas se reúnem no parque de Ueno, em Tóquio, para celebrar as cerejeiras floridas, apesar da pandemia de coronavírus.
Moradores e turistas se reúnem no parque de Ueno, em Tóquio, para celebrar as cerejeiras floridas, apesar da pandemia de coronavírus. REUTERS - ISSEI KATO

As autoridades japonesas estão preocupadas com o impacto do início da sakura, nome dado ao momento em que as cerejeiras florescem no país e que marca o começo da primavera. Tradicionalmente, a população se reúne sob as árvores para celebrar a ocasião. Mas diante da pandemia de coronavírus, algumas cidades decidiram proibir os festivais organizados para marcar a data, irritando muitos moradores.

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Bruno Duval, correspondente da RFI em Tóquio

A sakura, ou cherry blossoms, é um dos momentos mais esperados do ano pelos japoneses, atraindo moradores e turistas do mundo inteiro. A festa acontece em todo o país e nem mesmo durante a Segunda Guerra mundial o ritual foi quebrado.

Mas este ano, em razão da pandemia de Covid-19, os piqueniques foram proibidos, deixando muitos japoneses inconsolados. “[A decisão do governo] é certamente prudente, mas há um ano eu esperava esse momento. Isso me deixa muito melancólica”, disse uma das visitantes do parque de Ueno, um dos principais de Tóquio. O local, que abriga o Museu Nacional, no norte da capital, recebeu no ano passado 4 milhões de pessoas para celebrar a data sob as suas 800 cerejeiras.

“Esse é o único momento do ano em que somos autorizados a nos soltar um pouco, beber muito, falar besteiras... E isso não tem preço”, reclama uma frequentadora do parque. “Celebrar a primavera embaixo dessas árvores representa realmente a alma da cultura popular japonesa”, diz um vizinho.

“Primeiro foram os Jogos Olímpicos de Tóquio, que certamente não serão realizado este ano. Agora essa proibição de celebrar as cerejeiras... 2020 realmente não é um ano nada bom. Ao mesmo tempo, diante do contexto sanitário, dá para entender a decisão”, comentou outro morador, em alusão à declaração do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, que admitiu nesta segunda-feira (23) que o adiamento das Olímpiadas de Tóquio é quase “inevitável”. O Comitê Olímpico Internacional (COI) vai estudar durante quatro semanas as consequências de um cancelamento dos Jogos antes de anunciar sua decisão.

“Liberdade de ir e vir”

Outros questionam o impacto dessas medidas nas liberdades individuais. “O vírus me assusta menos que do esses ataques crescentes à nossa liberdade de ir e vir”, reclama uma moradora, em resposta à presença importante de policiais que patrulham o parque de Ueno para tentar impor a proibição das reuniões públicas para festejar a Sakura.

Até a manhã desta segunda-feira (23), o governo japonês havia confirmado a presença de 1.000 casos de contaminação do país de 127 milhões de habitantes. No entanto, o acesso aos testes que confirmam a presença do vírus no organismo é restrito às pessoas que estiveram em contatos com doentes em algumas zonas do país, o que torna difícil um balanço exato do número de infectados.

 

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