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“Somos os médicos da revolução”, dizem cubanos enviados para combater Covid-19 na Itália

Médicos cubanos posam ao lado de retrato de Fidel Castro antes de embarcarem para lutar contra coronavírus na Itália
Médicos cubanos posam ao lado de retrato de Fidel Castro antes de embarcarem para lutar contra coronavírus na Itália REUTERS - ALEXANDRE MENEGHINI

A Itália acaba de receber uma brigada de 52 médicos e paramédicos cubanos, enviados para contribuir na luta contra o coronavírus no novo epicentro da pandemia. Essa é a primeira vez que um país europeu pede ajuda a Havana, que cultiva a tradição de enviar profissionais da área da saúde para missões internacionais.

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Com informações de Domitille Piron, correspondente da RFI em Havana

Os médicos, que deixaram a ilha no sábado (21), desembarcaram na região italiana da Lombardia, a mais atingida pela pandemia. Segundo o chefe de delegação, Carlos Ricardo Pérez, 30 membros do grupo já participaram de missões de luta contra a epidemia de ebola na África Ocidental, em 2014, a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desta vez, eles viajam após uma solicitação do secretário da Saúde da Lombardia, Giulio Gallera, que reconheceu que seu sistema de saúde está prestes a entrar em colapso devido ao grande número de pacientes que precisam de tratamento intensivo. O político italiano espera que os médicos cubanos "aliviem a situação" do hospital de Crema, na cidade de Cremona.

A delegação, composta apenas por homens, viajou de forma voluntária. Eles devem ficar na Itália por um período de três meses.

“Todos nós temos medo, mas temos que cumprir nossa missão revolucionária. Colocamos o medo de lado. Mas nós não somos super-heróis destemidos. Somos os médicos da Revolução”, disse um deles antes de embarcar.

Exportação de médicos tem razões econômicas

Cuba é célebre por enviar médicos para o mundo todo, visando suprir a deficiência de atendimento em regiões atingidas por catástrofes naturais, zonas economicamente desfavorecidas ou áreas onde serviços de saúde são escassos. A ilha defende que com o que recebe por esses serviços, consegue manter seus próprios sistemas gratuitos de saúde e educação.

A exportação de serviços médicos é, junto com o turismo, um dos motores da economia do país socialista e representou uma receita de cerca de US$ 6,3 bilhões em 2018, segundo dados oficiais.

No entanto o envio dos profissionais cubanos não agrada alguns países. Os Estados Unidos afirmam que Havana paga baixos salários a seus médicos e os submete a restrições de movimento e vigilância nos países onde eles servem.

Já o Brasil, que usufruiu durante os governos do PT dos serviços de profissionais da saúde cubanos, interrompeu a parceria por iniciativa do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que criticou o sistema. 

Atualmente, cerca de 30 mil profissionais da saúde cubanos atendem em 61 países da África, América Central e Ásia.

Quem vai cuidar dos cubanos?

Enquanto os médicos cubanos começam a tratar as vítimas da pandemia na Europa, os moradores da ilha se questionam sobre quem cuidará deles quando o coronavírus começará a contaminar sua própria população. Atualmente, as autoridades de Havana afirmam que pouco mais de 30 pessoas foram infectadas pelo Covid-19. No entanto, mais de 900 casos suspeitos estão em observação nos hospitais do país.

Até agora, nenhuma medida de confinamento foi imposta em Cuba, onde escolas e comércio continuam abertos. Apenas as fronteiras foram fechadas para os turistas.

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