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Coronavírus: alternativas para substituir respiradores artificiais incluem até máscaras de mergulho

Equipe testa máscara de mergulho Decathlon transformada em respirador artificial em hospital de Bruxelass, le 27 mars 2020.
Equipe testa máscara de mergulho Decathlon transformada em respirador artificial em hospital de Bruxelass, le 27 mars 2020. Kenzo TRIBOUILLARD / AFP

A assistência respiratória é indispensável para tratar os casos mais graves do coronavírus. O aumento de casos crônicos da doença e das hospitalizações em UTIs criou uma demanda elevada por respiradores artificiais. A situação é urgente, mas os países mais atingidos pela Covid-19 estão à espera dos novos equipamentos, ainda em fase de produção.

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Na busca por uma solução paliativa, o médico italiano Renato Favero de Brescia, na Lombardia, hoje aposentado, criou um equipamento original: ele transformou máscaras de mergulho da marca Decathlon em aparelhos respiratórios. A empresa afirma ter 10 mil produtos no estoque e já os colocou à disposição do especialista italiano.

Para adaptar o produto ao uso hospitalar, Favero entrou em contato com a empresa italiana Isinnova, que concebeu, utilizando uma impressora 3D, a peça que faltava para adaptar a máscara aos tubos hospitalares. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o engenheiro Alessandro Romaioli, da empresa italiana, explicou que o protótipo foi testado nos estabelecimentos, mas ainda não pode substituir totalmente os respiradores homologados pelas autoridades sanitárias italianas.

Segundo ele, trata-se de um produto modificado de maneira artesanal para ajudar em situações urgentes, mas os produtos certificados “devem ser privilegiados.” Ele também explicou que os pacientes devem assinar uma declaração por escrito para poder utilizá-lo.

Na Itália, onde mais de 10.700 mortes foram confirmadas pelo coronavírus, muitos pacientes em estado grave não tiveram acesso à respiração artificial por falta de equipamentos – um dos maiores temores provocados pela epidemia

Iniciativa belga

A ideia do médico italiano também levou uma equipe belga a produzir um dispositivo parecido no hospital Erasme, em Bruxelas. Eles utilizaram a mesma máscara da marca Decathlon, mas ela foi conectada a uma máquina que fornece ar pressurizado aos pacientes, sem a necessidade de entubá-lo. De acordo com o fisioterapeuta Frédéric Bonnier o respirador é mais confortável, mas precisa ser homologado antes de ser produzido em série.

Israel aposta em mercado

Em Israel, o setor high-tech também entrou em guerra contra o coronavírus, como explica o correspondente da RFI em Israel, Michel Paul. O país, que já tem mais de 3.600 casos confirmados, possui apenas 2.800 respiradores, de acordo com o Ministério da Saúde. A empresa Rafael, líder no setor de armamentos, se mobiliza para desenvolver o mais rápido possível dispositivos de baixo custo.

Para Erel Margalit, da incubadora de cibertecnologia JVP, é preciso compartilhar recursos entre governos de diferentes países. “Os governos não podem trabalhar sozinhos. Eles devem atuar juntos porque o vírus continua se propagando rapidamente. As estratégias usadas em um país com sucesso poderiam funcionar em outros locais, mas a informação deve ser dividida em tempo real”, declarou em entrevista à RFI.

Nos EUA, governador compra respiradores de mão

Os Estados Unidos são o país mais atingido pela epidemia, com cerca de 122 mil contaminados e mais de 2.100 mortes. A rápida propagação do Covid-19 levou o governador de Nova York, Andrew Cuomo, a comprar milhares de respiradores de mão, similares aos usados pelos bombeiros nos primeiros socorros. O problema é que, para ventilar o paciente, a bomba deve ser ativada manualmente 24 horas por dia.

O governador não descarta a possibilidade de convocar os soldados da reserva militar americana para essa missão, mas admite que utilizaria o recurso apenas em "último caso". Cuomo solicitou ao governo federal cerca de 30 mil respiradores artificiais .

 

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