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Covid-19: Jovem que trabalhava em navio com tripulação em quarentena relata suicídios

Imagem ilustrativa de um navio de cruzeiro.
Imagem ilustrativa de um navio de cruzeiro. REUTERS - KYODO

Confinados ao mar desde o surgimento da pandemia do novo coronavírus, tripulantes de diferentes navios começam a perder a paciência. Além de greves de fome, quatro casos de suicídio foram relatados por uma ex-tripulante. Eles são quase 10.000 ainda a bordo, muitas vezes confinados em suas cabines, esperando para serem repatriados.

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No domingo (10), uma ucraniana de 39 anos se jogou do navio Regal Princess, perto de Roterdã. Outros a bordo do Navigator of the Seas, encalhados no porto de Miami, entraram em greve de fome para que pudessem voltar para casa.

Uma jovem húngara (que deseja permanecer anônima) se encontrava em um navio alemão antes de desembarcar no início desta semana. Ela contou, em entrevista à RFI, sobre a situação extremamente tensa a bordo, para aqueles que permaneceram presos.

"A empresa amontoou 2.200 tripulantes no mesmo barco. Nós compartilhamos as cabines. As pessoas começaram a perder a paciência, a frustração reinou", conta ela.

"Alguns começaram a invadir as cabines, outros estavam brigando. Ninguém sabia o que iria acontecer com eles. Quase não tínhamos informações externas. Mas aprendemos que em outros barcos, em quatro dias, quatro pessoas haviam pulado do mar ou se suicidado por causa da situação", relata a ex-tripulante. 

"É extremamente triste! Essas linhas de cruzeiro preferem economizar dinheiro, explicando que a reserva de passagens aéreas para repatriar funcionários é muito cara. Mas, ao tomar a decisão de mantê-los a bordo, eles arriscam sua saúde mental", diz.

Para ela, isso "mostra perfeitamente quanto vale uma vida humana. Os negócios vêm em primeiro lugar", apontou.

Tripulação presa em alto-mar

Dois meses atrás, quando o mundo começou a tomar medidas de isolamento social para impedir a propagação da Covid-19, as companhias marítimas norte-americanas receberam ordens para parar de navegar.

Após longas negociações com as autoridades portuárias, os navios conseguiram desembarcar e repatriar seus passageiros, antes de zarpar de novo em direção ao mar, criando um problema para os tripulantes que continuam confinados a bordo.

Atualmente, 104 navios de cruzeiro se encontram em águas norte-americanas. A bordo, quase 72.000 tripulantes, segundo informações confirmadas esta semana pela guarda costeira dos Estados Unidos.

Esta tripulação não se encontra toda na mesma situação: os encarregados de manter os navios, como os marinheiros, os cozinheiros ou até a equipe de manutenção, continuam a receber um salário. Mas este não é o caso dos funcionários que deveriam entreter os passageiros. Dificuldades financeiras são, portanto, adicionadas ao sofrimento psicológico.

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