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Linha Direta

Suja e com transporte deficiente, Roma vive dias de decadência

Áudio 04:14
Turistas ao lado de uma lixeira transbordando no centro de Roma.
Turistas ao lado de uma lixeira transbordando no centro de Roma. AFP PHOTO / ANDREAS SOLARO

Visitada diariamente por milhares de turistas, Roma vive momentos difíceis: sujeira, problemas nos transportes e no principal aeroporto do país. Por trás do caos, escândalos de corrupção envolvendo contratos de serviços da prefeitura. Os fatores negativos entram em ebulição com as temperaturas de mais de 40 graus registradas neste verão.

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Gina Marques, correspondente da RFI Brasil em Roma.

Roma está realmente descuidada. Além do lixo pelas ruas, os transportes estão longe de funcionar bem como em outras capitais europeias. As pessoas ficam mais de meia hora esperando um ônibus. Sem contar a chamada greve branca, quando os motoristas protestam atrasando a partida dos veículos, ônibus ou metrô. Quem vive em Roma tem a sensação da ineficiência pública. O cidadão se sente irritado, mas as raízes dos problemas são mais profundas.

O problema é amplo, mas vamos começar por dois aspectos: a corrupção e a dívida pública. Escândalos revelaram que os serviços públicos acabaram se transformando em “cabides de emprego”, onde foram contratados diversos empregados inúteis, protegidos por políticos.

Máfia Capital

Um dos escândalos recentes, chamado Máfia Capital, envolveu celebridades e políticos. Trata-se de uma quadrilha da qual fazia parte o ex-terrorista de extrema-direita Massimo Carminati, aliado ao ex-comunista Salvatore Buzzi. Através de empresas terceirizadas, eles tinham contratos públicos para fornecer vários serviços, mas desviavam milhões de euros para suas contas pessoais. O ex-prefeito de Roma Gianni Alemano está sendo investigado, suspeito de ter participado do esquema.

Nos últimos dias, surgiram diversos movimentos de voluntariado para ajudar a limpar a cidade ou denunciar a degradação. Os jornais italianos lançaram campanhas e contam com grande adesão. Mas a credibilidade da classe política de modo geral ficou abalada. Na prática, a corrupção ajudou a esvaziar os cofres públicos da capital. Por consequência afetou todo o sistema. Por exemplo, muitos ônibus públicos estão parados porque precisam de manutenção mecânica. A administração pública não tem dinheiro para pagar os fornecedores de peças e a cada dia a situação piora.

A obra mais cara em 100 anos

Roma tem apenas duas linhas de metrô. A terceira, que ligaria o centro à periferia, não está pronta depois de 15 anos de construção. É uma odisseia infinita. E já é considerada a obra pública italiana mais cara dos últimos 100 anos. Para construir 25 quilômetros de linha metropolitana, o custo já chegou a € 6 bilhões, cerca de € 240 milhões por quilômetro, mais do que o dobro da média europeia.

O prefeito atual, Ignazio Marino, acusa o ex-prefeito Alemano pela degradação da cidade. Marino já fez mudanças na sua equipe de assessores e afirma que não vai se demitir. Ele disse que as críticas da imprensa internacional são para derrubar a candidatura de Roma às Olimpíadas de 2024. Segundo ele, a imprensa francesa e a americana defendem os interesses dos próprios países candidatos.

Mas não são só os jornais estrangeiros que mostram a degradação de Roma. Em sua edição de hoje, o jornal da Santa Sé Osservatore Romano afirmou que a cidade está sufocada. No próximo dia 8 de dezembro, começa o Jubileu. Para este evento, que deve durar um ano, Roma aguarda 20 milhões de peregrinos. A cidade eterna não pede misericórdia, mas sim eficiência.

 

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