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Kadafi/morte

Kadafi é morto em ataque perto de Sirte, diz CNT

Foto tirada por um celular apresentada como a imagem da prisão de Kadafi, nesta quinta-feira.
Foto tirada por um celular apresentada como a imagem da prisão de Kadafi, nesta quinta-feira. AFP/Philippe Desmazes

O ex-ditador líbio Mouammar Kadafi morreu nesta quinta-feira perto de Sirte, segundo responsáveis do CNT. De acordo com eles, Kadafi teria sucumbido a ferimentos na cabeça e nas pernas, durante um ataque aéreo das forças da OTAN, quando tentava fugir. O corpo de Kadafi foi colocado em uma ambulância e transferido para Misrata, segundo o Conselho, que vai em breve proclamar a liberação definitiva do país.

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As informações ainda são contraditórias: segundo a Al Jazeera, o cadáver foi colocado em uma mesquita em Misrata, mas a Al Arabia afirma que o corpo foi levado para um centro comercial do Souk Taouansa, um bairro da cidade.

"Hoje anunciamos ao mundo que Kadafi morreu nas mãos dos revolucionários", disse o porta-voz do CNT, Abdel Hafez Ghoga. "Trata-se de um momento histórico, é o fim da tirania e da ditadura, o reencontro do Kadafi com seu destino", disse. A cidade de Sirte foi "totalmente liberada com a confirmação da morte de Kadafi", também indicou nesta quinta-feira Khalifa Haftar, responsável militar do CNT.

Segundo ele, todos os aliados que combatiam ao lado do ex-líder líbio foram assassinados ou capturados. Kadafi, que estava foragido desde o dia 23 de agosto, foi atingido por tiros contra seu grupo. O presidente do CNT, Moustapha Abdeljalil, deve fazer um pronunciamento à população na TV líbia ainda nesta tarde. Ainda de acordo com os representantes do Conselho Nacional de Transição, o porta-voz do regime, Moussa Ibrahim, também foi preso na operação.

Em um comunicado, a OTAN anunciou que os caças da Organização haviam atingido dois comboios por volta das 8h30 nos arredores da cidade, mas não confirmou a presença de Kadafi nos veículos. Aboubakr Younès Jaber, ministro da Defesa do regime, também teria sido morto hoje. A morte de Kadafi também foi confirmada pelo canal Libya lil Ahrar. Moatassim, um dos filhos de Kadafi, também morreu na operação. O outro filho dele, Saïf al Islam, também está na mira do CNT e seu comboio está sendo alvo de ataques.

A agência France Presse divulgou a imagem do cadaver de Kadafi, tirada com um celular.Segundo o redator-chefe Eric Baradat, a imagem é autêntica. Um correspondente do jornal Daily Telegraph, segundo a imprensa francesa, também confirmou a morte do líder líbio, dizendo que o comboio de Kadafi tentou fugir através de um tunel mas foi interceptado pelas tropas do CNT .Outros jornalistas no local afirmam que ele foi atingido por uma bala de 9 milimetros no abdômen.

Em Washington, o Departamento de estado americano disse que ainda não era possível confirmar o anúncio da morte do ex-líder líbio. No início de outubro, o primeiro-ministro do CNT, Mahmoud Djibril, havia indicado que o coronel estava escondido no sul da Líbia. Ele também teria sido visto no Saara, na região de Ghadamés, mas na realidade, estava em Sirte, reduto das forças aliadas do coronel.

As últimas posições das tropas pro-Kadafi foram ocupadas nesta quinta-feira pelos rebeldes. Nos últimos dois meses, as forças da oposição, que tomaram o regime, mantiveram os ataques contra Sirte. A cidade de Bani Walid, um outro reduto de Kadafi, situada a 170 quilômetros a leste de Trípoli, foi liberada nesta quinta-feira.

O CNT, que já foi reconhecido pela comunidade internacional como representante legítimo do povo líbio, poderá agora dar início às reformas no país e à preparação das eleições, compromisso assumido durante a Conferência para a Líbia, em setembro.

Nascido em 1942, Kadafi chegou ao poder em setembro de 1969. Os protestos no país começaram impulsionados pela primavera árabe, que culminou na queda de regimes ditatoriais na Tunísia e no Egito, se alastrando para outros países, como a Síria. Na Líbia, o movimento de contestação teve início em fevereiro, e a repressão do governo Kadafi à população civil levou a comunidade internacional, liderada por França e Grã-Bretanha, a iniciar uma ofensiva no país, com a criação de uma zona de exclusão aérea e suporte aos grupos rebeldes.
 

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