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Síria / Impasse

Irã deve fazer parte da solução na Síria, diz Kofi Annan

Manifestantes protestam contra o presidente Bashar al-Assad em Marra, perto de Alep, nesta sexta-feira.
Manifestantes protestam contra o presidente Bashar al-Assad em Marra, perto de Alep, nesta sexta-feira. REUTERS

O emissário especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, afirmou nesta sexta-feira que o Irã deveria fazer parte da solução na Síria, considerando que os países que têm uma influência sobre as partes em conflito deveriam poder participar de uma eventual próxima reunião. Em Moscou, o chefe da diplomacia russa Sergueï Lavrov afirmou ter dito ao ministro das relações exteriores sírio que Damasco deveria fazer "muito mais" esforços para colocar em prática o plano de saída da crise de Kofi Annan.

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Várias capitais, incluindo Paris, rejeitaram até agora a possibilidade de associar o Irã às conferências sobre a Síria, como propõe a Rússia.

Os ocidentais e os russos não chegam a um acordo sobre a crise síria. Os primeiros exigem a saída do presidente Bashar al-Assad e a imposição de sanções por parte da ONU para forçar o regime sírio a aplicar o plano Annan. Já os segundos, aliados do regime, recusam qualquer interferência estrangeira nesse país.

Moscou, que parece ter se afastado de Assad nas últimas semanas, pediu nesta sexta-feira que o regime de Damasco "faça mais". Mas Sergueï Lavrov lembrou que a Rússia "não tem intenção de se justificar" diante dos Estados Unidos sobre suas entregas de armas à Síria. O presidente russo Vladimir Putin viaja na próxima semana para Israel e a Síria a fim de defender sua posição sobre as crises na região.

Deserção

Após uma primeira deserção nesta quinta-feira de um piloto sírio que aterrissou com seu avião na Jordânia, onde obteve asilo político, o embaixador americano em Damasco fez um apelo para que os soldados deixem de apoiar o regime de Assad. A França comemorou a deserção, considerando que o piloto "fez a escolha da dignidade e da luta pela liberdade diante da barbárie do regime sírio".

O Reino Unido se recusou a conceder um visto ao presidente do Colitê Olímpico Sírio, o general Mowaffak Joumaa, que não poderá assistir aos Jogos Olímpicos de Londres devido à sua ligação com o regime de Assad.

Protestos

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram na Síria, sobretudo na província rebelde de Idlib (noroeste), para exigir mais uma vez a queda do regime, que continua sua guerra contra a contestação pacífica e os rebeldes armados que ele qualifica de "terroristas".

Na região de Alep, em Darat Ezzat, ao menos 25 pessoas morreram baleadas e mutiladas por "grupos terroristas armados", segundo a televisão oficial, que chamou o ato de "crime bárbaro". Segundo o Observatório sírio dos direitos humanos (OSDH), trata-se de partidários do regime sírio que foram executados em uma emboscada.

Na mesma região, dois membros das forças de segurança foram mortos em um ataque rebelde. Nove civis, incluindo uma criança, morreram vítimas de tiros do exército contra manifestações, segundo a OSDH. Outros oito civis, dos quais duas crianças, também morreram vítimas da violência na região de Damasco, em Dera (sul) e em Idleb.

Denúncia

"Silêncio árabe e internacional apesar dos massacres e do massacre do povo sírio", denunciaram os manifestantes na província de Hassaka (nordeste).

A violência matou mais de 250 pessoas nesses dois últimos dias. Quinta-feira foi "o dia mais sangrento desde a instauração do cessar-fogo, e um dos mais sangrentos desde o início da revolta" no dia 15 de março de 2011, segundo Rami Abdel Rahmane, diretor do OSDH. Segundo essa ONG, mais de 15 mil pessoas, em sua maioria civis, morreram em mais de 15 meses de rebelião no país.

A intensificação da violência, sobretudo em Homs, provocou o fracasso de duas tentativas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho sírio para retirar feridos e civis desta que é a terceira maior cidade do país e principal bastião da contestação.

 

 

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