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Europa/ imigração

Crise provoca queda de imigração e aumento da xenofobia, diz OCDE

Policiais fiscalizam a chegada de estrangeiros na Gare du Nord, em Paris.
Policiais fiscalizam a chegada de estrangeiros na Gare du Nord, em Paris. (Photo : Douane française - Marc Bonodot)

Um estudo publicado hoje anunciou que a crise econômica reduziu a imigração em direção aos países da União Europeia, onde as dificuldades econômicas provocaram o aumento dos sentimentos de rejeição aos estrangeiros. O relatório foi elaborado pela Organização pela Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgado em Bruxelas.

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Em 2010, houve 2,5% a menos de imigração em direção aos países-membro da OCDE, ou 4,1 milhões de pessoas, e 3% a menos na Europa. Em relação aos Estados Unidos, a diminuição é ainda maior, de 8%. Os dados de 2011, ainda não concluídos, apontam para uma retomada do ritmo nos Estados Unidos e na maior parte da Europa, à exceção da Itália, da Espanha e da Suécia.

“O caráter sensível que circula as questões de imigração, enquanto os níveis de desempregos seguem elevados, incitou diversos governos a adotarem novas políticas migratórias mais restritivas”, afirmou o estudo. “A recessão significa menos imigração e aumenta o desemprego dos estrangeiros, o que piorou os problemas de integração”, observou o comissário de Emprego na organização, Lazlo Andor, em uma coletiva de imprensa na Comissão Europeia.

A comissária de Assuntos Interiores, Cecília Malmström, destacou que “o debate político, poluído por uma retórica xenofóbica, não ajuda a reverter essa tendência”. Os mais atingidos pela crise na Europa são os homens jovens imigrantes sem qualificação, conforme a OCDE. “O impacto foi maior para os imigrantes do que para as pessoas nascidas nos países: os números do desemprego se elevaram 4 pontos, contra 2,2 para os nativos, entre 2008 e 2010”, sublinha o documento.

Ao mesmo tempo, o estudo ressalta que até 2015, os níveis atuais de imigração não serão suficientes para suprir a demanda de população em idade de trabalhar, inclusive os altamente qualificados, na maioria dos países europeus. “A Suécia precisa de engenheiros imediatamente e ela não os encontra nos países da União Europeia”, afirmou Malmström. A OCDE insistiu para a necessidade de os países europeus melhorarem a integração dos estrangeiros, estimulando o ensino das línguas locais, por exemplo.

Enquanto isso, os dados relativos aos europeus que estão deixando o continente por conta da crise também chamaram a atenção. Os jovens irlandeses têm partido para a Austrália ou o Canadá, e não para a Inglaterra ou os Estados Unidos, atingidos pelo mau momento econômico.
 

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