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ONU/Gravidez precoce

Todos os dias, 20 mil adolescentes dão à luz

Mães adolescentes na Bosnia e Herzegovina
Mães adolescentes na Bosnia e Herzegovina © Jason D. Jones / UNFPA

Todos os dias, 20 mil adolescentes colocam uma criança no mundo, constata o relatório "O Estado da População Mundial" apresentado nesta quarta-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA). As que não abortam (3,2 milhões todos os anos) ou morrem (70 mil) dão à luz 7,3 milhões de filhos de mães com menos de 18 anos - 95% delas em países subdesenvolvidos. E a maioria absoluta, em países africanos. No Níger, por exemplo, uma em cada duas mulheres pariu durante a adolescência.

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Além dos claros riscos para estas jovens mães - muitas delas vítimas de casamentos arranjados -, que não têm o aparelho reprodutor plenamente desenvolvido, o estudo da ONU mostra que a gravidez na adolescência impacta a saúde das crianças e de toda a sociedade. Inclusive do ponto de vista econômico.

Uma pesquisa realizada em 2012 pelo Banco Mundial no Quênia e citada pela UNFPA aponta que, se as mais de 220 mil adolescentes-mães do país pudessem trabalhar ao invés de cuidar dos filhos, o PIB do país cresceria em média US$ 3,4 bilhões anuais - o equivalente ao que movimenta o setor local de construção civil.

Mas, ao engravidar, estas jovens abandonam os estudos, a possibilidade de se formar para um trabalho especializado e, em geral, passam a depender dos maridos ou companheiros. Apenas uma em cada dez mães menores de idade é solteira. As outras vivem com homens dos quais, via de regra, dependem. Com isso, o potencial das meninas não é atingido.

De acordo com o relatório, os principais motivos para o problema são o casamento na infância, desigualdade de gênero, ausência de direitos humanos básicos, pobreza, violências sexuais, políticas públicas que restringem acesso a contraceptivos e educação sexual, falta de acesso a educação geral e pouco investimento no capital humano feminino.

A agência aponta então quatro pressupostos para corrigir o problema - fortalecer as meninas, corrigir desigualdade de gênero, respeitar direitos humanos e reduzir a pobreza - e oito caminhos para se chegar lá.

Para as garotas de 10 a 14 anos, a ONU recomenda intervenções preventivas. Os governos devem proibir o casamento de pessoas com menos de 18 anos, além de estabelecer políticas sérias de combate à violência sexual e acompanhar cada etapa da vida das meninas, principalmente com direito universal à escola. Garantir acesso aos direitos a saúde e segurança; educar homens e, principalmente, meninos, para que eles passem a fazer parte da solução e não do problema. Finalmente, é preciso que a comunidade internacional se comprometa com o desenvolvimento sustentável dos países pobres. É um longo desafio...

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