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Afeganistão/Estados Unidos

Presidente afegão acusa EUA de 'colonialismo' nas páginas do Le Monde

O presidente afegão Hamid Karzai
O presidente afegão Hamid Karzai REUTERS/Omar Sobhani/Files

O presidente afegão Hamid Karzai deu uma entrevista ao jornal francês Le Monde que chega às bancas nesta quarta-feira acusando Washington de promover uma "guerra psicológica" contra o povo afegão.

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O chefe de estado disse estar sendo pressionado pelos Estados Unidos para assinar um acordo que prevê a manutenção das forças americanas no país. Ele também acusou os Estados Unidos de se comportar como uma "potência colonial."

Karzai, que mantém uma relação complicada com Obama, critica com frequência as operações no país, e se recusou até agora a ratificar o tratado de segurança entre Cabul e Washington, que define as regras para a presença militar americana após a retirada dos 75 mil soldados da OTAN em 2014.

O presidente se recusa a assinar este acordo antes das eleições em abril de 2014. Ele não poderá concorrer, já que a Constituição o proíbe de disputar um terceiro mandato.

Em trechos da entrevista, Karzai questiona : ‘’aos americanos : por que o povo afegão deve pagar o preço desta guerra contra o terrorismo ?Por que vocês atacam uma casa no Afeganistão alegando a presença de um talibã, causando o sofrimento e a morte de mulheres e crianças ? Um afegão vale menos do que um americano ? Espero que os americanos tenham o mesmo respeito por uma criança americana e uma afegã.”

Para Karzai, trata-se de uma guerra psicológica contra a economia, incentivando as empresas a deixar o Afeganistão, e ‘’assustando” a população sobre o que pode ocorrer sem os americanos.

O tratado foi aprovado em novembro na Loya Jirga, a assembleia tradicional afegã, que reúne representantes de diferentes etnias. Essa decisão coloca em risco a estabilidade do país.

“Os americanos não podem nos acuar desse jeito, não podem aproveitar de nosso estado de dependência. Isso é colonialismo, e os afegãos não se inclinarão. Já vencemos os colonizadores. Se a presença deles significar dar continuidade à uma guerra, às bombas, aos assassinatos, então isso não vale a pena’’, disse o chefe de estado afegão.
 

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